<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371</id><updated>2011-04-21T15:58:24.537-07:00</updated><title type='text'>em branco e preto</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>39</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-113002036842292488</id><published>2005-10-22T15:31:00.000-07:00</published><updated>2005-10-22T15:32:48.423-07:00</updated><title type='text'>silenzio</title><content type='html'>&lt;img src="http://europe.couchsurfing.com/show_image_cache.php?id=110612&amp;image_id=bf5&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se ci fosse un po' più di silenzio, se tutti facessimo un po' più di silenzio, forse qualcosa potremmo capire. - federico fellini&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-113002036842292488?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/113002036842292488/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=113002036842292488' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/113002036842292488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/113002036842292488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/10/silenzio_22.html' title='silenzio'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-113001992798870525</id><published>2005-10-22T14:56:00.000-07:00</published><updated>2005-10-22T15:59:23.286-07:00</updated><title type='text'>down down: dada</title><content type='html'>&lt;em&gt;Não era pra ter me beijado&lt;/em&gt;, disse olhando feio pro velho. &lt;em&gt;Não olha pra mim.  Pára de olhar pra mim pelado, porra. Já tá na hora de você ir embora.&lt;/em&gt; Lá fora fazia chuva fina e o edifício Itália derretia chumbo. O piso de taco se azulava com a tempestade e São Paulo tinha um pouco de dourado no cinza da tarde. Já &lt;em&gt;te falei pra sair. Por que fica aí olhando?&lt;/em&gt; Então o velho perguntou, &lt;em&gt;Está certo o dinheiro? Falta alguma coisa?&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tá certo, tchau&lt;/em&gt;, e apontou pra porta. O velho demorava pra se vestir. Ainda estava de cuecas e acabara de pôr a camiseta. Queria desculpa pra continuar ali, suspenso naquele décimo sétimo andar. Tirou mais cem reais da carteira e pôs sobre o monte de notas em cima do criado mudo. &lt;em&gt;Olha, te dei mais um pouco.&lt;/em&gt; O menino se impacientou, &lt;em&gt;Já falei que era pra cair fora. Não precisa mais nada. E pára de olhar pra mim&lt;/em&gt;, disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha vinte anos, cara de moleque, magro, nenhum pêlo no corpo. Continuava nu. A pele pálida refletia a cor da noite mal filtrada pelo vidro sujo. O velho então vestiu a camisa, mas não abotoou. Chegou perto, pôs a mão no pescoço do menino e tentou outro beijo. Então o rapaz lhe acertou a cabeça com um vaso. A única rosa que sobrevivia na água turva escorregou longe pelo assoalho junto com os cacos de vidro e algumas gotas de sangue. A camisa branca do velho se tingia de vermelho e lá fora as estrelas paulistanas acendiam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Tá louco? Quer me matar&lt;/em&gt;, gritou o velho com a mão na nuca. Caiu sentado e se encostou contra a parede. &lt;em&gt;Dói muito, me ajuda&lt;/em&gt;, pediu. Já &lt;em&gt;era pra você ter ido embora&lt;/em&gt;, disse chutando os sapatos do velho pra que ele os calçasse. Andava descalço sobre os cacos de vidro. Ainda tinha na mão o que sobrou do vaso. Foi até o velho e lhe chutou a canela, &lt;em&gt;Anda logo&lt;/em&gt;. De repente, o homem ferido levantou e jogou o moleque contra a parede. &lt;em&gt;Escuta aqui, eu te paguei bem e você quase me matou. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu sou um objeto caro&lt;/em&gt;, disse encostando o vidro na garganta do velho que não largava seus ombros. &lt;em&gt;Eu sou muito caro&lt;/em&gt;, afundava devagar no pescoço dele. &lt;em&gt;Pra você fiz promoção e ainda tem sorte que eu não te matei. Não me custa nada enfiar isso até a goela e te deixar aí sangrando.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não vai fazer besteira&lt;/em&gt;, disse o velho. &lt;em&gt;Eu só queria te dar um beijo.&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Isso não tá no programa. Cai fora.&lt;/em&gt; O vidro entrou um pouco na pele e escorreu uma gota de sangue. Manchou de vermelho a gola da camiseta branca do velho. A cena se refletia naquele calor invernal e frio infernal de poucos metros. Lino cobrira uma das paredes com uma chapa de vidro espelhado encontrado numa fábrica de gelo. Desenhara os traços de um coração com as quatro câmaras, átrios e ventrículos, no lugar onde costumava aparecer sua cara. O órgão parecia pulsar com cada centímetro da pele do velho que o vidro na mão dele cortava. Fazia um silêncio de engrenagens distantes. Depois passos rápidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofia gostava de ser tempestade. Entrara sem bater e empurrara a porta com as unhas. &lt;em&gt;Morangos e gasolina&lt;/em&gt;, ela disse ao moer com os sapatos os cacos do vaso.  &lt;em&gt;Tua casa cheira a morangos e gasolina, e desse jeito você vai morrer. &lt;/em&gt;Caminhou indiferente pelo cenário. Notou o incômodo da situação nada insólita nos olhos do velho. Normal que Lino tivesse algo pontiagudo cravado em garganta alheia. E a voz dela cavava na pele dele como agulha de vitrola roçando vinil. &lt;em&gt;Hoje era dia pra ter asas&lt;/em&gt;, disse chutando os jornais velhos no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O velho olhou perplexo. E ela leve de vida se encostou na parede entre asas cenográficas como as penas de Lino. Estava ali alada com os olhos ofegantes. Era escritora. Respirava com as pupilas para que os dedos continuassem a garranchar papéis com a mesma febre. De vez em quando espancava uma Olivetti. Perdera as penas no combate. E esperava o fim da batalha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lino deu um empurrão e o velho largou. Andou torto até o corredor e saiu descalço com a mão na nuca. Então o menino chutou pra fora os sapatos sujos de sangue e bateu a porta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trovão acendeu a noite e o céu começou a desabar sobre a cidade. A sala ficava azul de chuva. Pendia do teto uma única lâmpada queimada. Teias de aranha enforcavam o fio solitário sem eletricidade. Sobrou no chão um vermelho de sangue tímido, o brilho difuso dos cacos e a rosa mutilada nas sobras de vaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorria serena. Olhou pra baixo. Olhou pra cara dele. Mastigava feliz a imobilidade pétrea das asas e o peso ensurdecedor de todo esse sonho. Nada importava. Hoje era seu dia de ter asas. E deitou a cabeça pra trás no banho azul marinho daquela hora paulistana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lino sentou pelado no colchão. Limpou as mãos sujas na parede e apoiou os cotovelos nos joelhos. Contou o dinheiro. Viu que dava pra pagar parte do aluguel. Com mais dois programas completava a cifra e comprava mais material. Abaixou a cabeça e ouviu o batuque da chuva. O motor d’água afogava lá embaixo o forró dos nordestinos, entupia os bueiros e emporcalhava as calçadas com lama ácida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Não devia fazer isso&lt;/em&gt;, ele disse. &lt;em&gt;Você não pode entrar desse jeito aqui. Tem horas que eu não quero te ver&lt;/em&gt;, continuou. &lt;em&gt;Eu não me surpreendo com nada. Você sabe disso. Não te preocupa. E sem discurso, que você não tem mais direitos que eu. Ou ainda acha que dá pra ter privacidade aqui&lt;/em&gt;, ela perguntou mostrando os dentes brancos entre os lábios roxos. &lt;em&gt;Não é isso&lt;/em&gt;, ele concluiu resignado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esfregava os cabelos enrolados na parede. Ainda tinham cheiro do velho e fumaça. Deixou cair as pernas, esticou os pés até encostar no chão e sentir os cacos de vidro. Tinha uma preguiça imensa. Balançava de leve a cabeça pra um lado e pro outro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Quando a gente não tem uma maçã pra morder, a noite parece mais longa&lt;/em&gt;, ela disse. &lt;em&gt;Eu também tô com fome&lt;/em&gt;, concordou. &lt;em&gt;Não engasga com esse pó&lt;/em&gt;, perguntou Sofia. &lt;em&gt;Não faz nada. Minha garganta vive anestesiada desde o primeiro cacete&lt;/em&gt;, ele declarou. &lt;em&gt;E esse aí? Por que a briga&lt;/em&gt;, ela queria saber. &lt;em&gt;Quis me beijar. Você sabe que eu detesto beijo.&lt;/em&gt; Ela descalçou as sandálias e baixou a cabeça, &lt;em&gt;É.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lino levantou pesado. A chuva desenhava trilhos aquáticos na barriga dele. Sentia os ossos ranger naquela fúria noturna. Odiava o tesão, tanto o seu quanto o dos outros. Não gostava da fraqueza que vem com toda demonstração de desejo. Não gostava do trabalho manual, da masturbação à sucção de velhos. Detestava querer qualquer coisa. Cedeu o colchão a Sofia. &lt;em&gt;Dorme&lt;/em&gt;, disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela abandonou as asas e tirou as roupas. Deitou pelada e puxou uma das mãos dele pra que deitasse também. Lino deitou no chão em cima dos jornais, cacos, pétalas e manchas. Encolheu um pouco as pernas e contemplou a beleza atroz da lâmpada sozinha no teto rachado. Apoiou a cabeça de caracóis na barriga diminuta dela. A medida era mera convenção. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofia lia as manchetes velhas que contornavam o corpo adormecido dele. Escândalos e catástrofes ninavam aquela balada sonífera. E Lino inconsciente ficava de pau duro. Ela se sentia obrigada a reconhecer que tudo aquilo, dos jornais à rosa despedaçada e a ereção involuntária de um perdido, tinha um fascínio indelével. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele dormia e ela tinha sede de um leite preto ou de tinta branca. Queria a transfusão. Pensou em eliminar a brancura látea dele com a injeção de litros negros de pigmento em suas veias, começando pelo pescoço. Pensou na beleza do experimento, imaginou um novo espécime listado. Isso porque ela era negra e ele alvo da brancura mais inclemente. Continuava a sonhar duro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela levantou e escreveu linhas parcas à luz de sombra. Era pra não esquecer nenhum detalhe nem perder o fio do massacre. Prometera a si mesma um rebanho novo de idéias, mesmo com cortes. E já matara todos seus animais de estimação elétrica. Sentia um sono afogado, alagado de um sufoco alcoólico. Dormiu minutos longos nos jornais ao lado dele. Não se tocaram durante a noite.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordaram com o sol queimando a nuca. Os raios fortes atravessavam o negrume da fuligem e cozinhavam a sala. Não passava das oito da manhã. Lino vivia numa kitchenette do centro. Eram 26 metros quadrados. Tinha uma área isolada para a ducha e o vaso sanitário. A cozinha era um fogareiro de acampamento alimentado por um pequeno botijão de gás. E no calor da cidade tudo esquentava sozinho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os cacos de vidro pareciam derreter na letargia solitária; do sangue restarão só manchas amarelas. Ele  olhava pro teto. Ela fitava algum ponto de fuga invisível. A luz do dia mostrava a infiltração e as rachaduras da casa, dele e dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lino buscou sossego no diâmetro diminuto do fio d’água do chuveiro. Não esquentava e o frio era alívio nas manhãs de pó. Gostava de olhar pra cima e ver a água cair. Abria a boca pra enxaguar fora o sabor das cinzas e rugas. Puxava pra trás os cabelos e deixava lavar em volta dos olhos. Precisava do tempo ali. Tardar-se no banho dilatava o espaço físico. Assim a vida cansava menos no acordar com buzinas e pássaros elétricos. Cada passo no seu décimo sétimo andar participava da orquestra de sons e ruídos dos outros dezesseis pisos, a marcha das formigas das ruas do centro e o pulsar dos trens da linha vermelha. E vinham também as rodas no abraço oleoso do asfalto e a fumaça cinza colorida que pintava os pombos da praça da Sé. Brincou de ter lágrimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele saiu da ducha espalhando gotas de cristal pelo piso esturricado. Ela continuava imóvel, digerindo meio mundo com olhos aspiradores. Tinha uma mão atrás da cabeça e outra apoiada na barriga. Abria e fechava a mão pra acariciar com as unhas aquela gravidez estéril de um futuro não preenchido. Era magra, côncava e escura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lino continuava molhado. Estava de pé e deixou suas gotas escorregarem pra cima dela pra chamar atenção. Ela olhou de baixo pra cima pros poucos pelos banhados dele. Vista daquele ângulo, a água que se prendia a ele parecia um mel prateado, gelatina gomosa. E ele cintilava de forma eletromagnética. Ela fez carinho na perna esquerda dele com seu pé direito. Agradeceu a sensação fria em contraste com seu calor grosso e central. Os dois se odiavam pela manhã. Era melhor talhar toda palavra e movimento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu andei mal, Lino. Mas hoje nem seu espetáculo me tira do sério. Tenho coisas belas na cabeça&lt;/em&gt;, ela disse. Levantou e foi abrir a janela deixando o sol e a fúria da rua entrar. &lt;em&gt;Eu não tenho tempo, desculpa&lt;/em&gt;, disse Lino ao secar os cabelos. &lt;em&gt;Nem eu&lt;/em&gt;, ela disse. &lt;em&gt;A gente precisa de um relógio de cordas vocais&lt;/em&gt;, concluiu Sofia. &lt;em&gt;Se a gente conseguir medir os berros e gritos do tempo, você pode desenhar a alma dessa guerra e eu mato a minha fome.&lt;/em&gt; Lino olhou pra São Paulo e viu que ainda era cedo demais pra canibalismo, mesmo com todo o sol laranja. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A luz pesada focava pra baixo a visão dela. &lt;em&gt;Tem sorte que faz calor. Esse vidro vai derreter e parar de te cortar os pés&lt;/em&gt;, ela disse desgrudando os olhos do chão cinco minutos depois. Não chorava porque estava seca. &lt;em&gt;Mas por que aquela rosa?&lt;/em&gt; Recolheu do chão o talo com as pétalas esmagadas que só então reconhecera como rosa. &lt;em&gt;Sobrou do quê&lt;/em&gt;, perguntou. &lt;em&gt;Não foi nada&lt;/em&gt;, ele disse. &lt;em&gt;Era uma flor que tava aí naquele vaso.&lt;/em&gt; Ela fez que não importava com os ombros, &lt;em&gt;Vem com os morangos e gasolina.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cismava com os cheiros da casa dele. Pra ela os cacos, manchas e pétalas eram objeto cênico da obra dramática sempre em cartaz na vida de Lino. Porque era artista buscava viver num cenário montado para abrigar certa inspiração fugidia. Uma vez ele construiu uma rampa de madeira que acabava na janela. Pintou de um rosa forte e cobriu de mel. Esperava ver formigas marchando ao precipício num mar viscoso. Não deu certo e a estrutura foi removida semanas depois, nunca livre das formigas e do mel. Sofia refletia sobre o mesmo fim trágico dos cacos quando viu a flor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Me diz por que tinha uma rosa nesse vaso&lt;/em&gt;, pediu pra saber onde se encaixava na encenação o objeto insólito. &lt;em&gt;Deixaram aí dia desses&lt;/em&gt;, respondeu seco. &lt;em&gt;Quem?&lt;/em&gt; Ela olhava firme pra ele. &lt;em&gt;Não sei. Um dos caras que vêm aí.&lt;/em&gt; Ela queria saber por quê. &lt;em&gt;Ele achou que ia ser bonito&lt;/em&gt;, ele disse pra fazer que ela se calasse. Ela olhou cansada, perdendo a fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou cair o talo depenado e continuou de pé perto da janela. O sol da manhã dava um verniz roxo ao negrume do corpo dela. Agora vestia só umas calças folgadas e lá do alto estudava a cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sabe que tô escrevendo um livro&lt;/em&gt;, disse ansiosa. &lt;em&gt;Não. Por que&lt;/em&gt;, ele perguntou. &lt;em&gt;Como por quê? É uma história que eu sonhei dia desses. Foi um sonho estranho porque eu me via só de costas. Eu me via andar pela cidade. Foi tudo aqui. Eu passava ali pelo terminal e continuava andando, andando. Mas eu chegava numa praia e sentava ali. Olhava o mar. No sonho era como se tivesse mar aqui. E eu tinha uma tatuagem nas costas. Não sei. Até que no sonho era bonita. Era o  mapa de algum lugar. O meu livro é sobre esse lugar. Todo mundo tem um nome tatuado nas costas. Mas nem todos sabem onde é. É a história desse lugar. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele vestiu uma regata branca e calçou chinelos. &lt;em&gt;Vou sair. Vem?&lt;/em&gt; Ela olhou triste. Vestiu-se na mecanicidade de uma foto-copiadora. &lt;em&gt;Tá.&lt;/em&gt; Os dois saíram subterrâneos do apartamento. O corredor úmido se estendia por portas demais e luz de menos. O som era do couro liso dos sapatos dela e o arrastar dos pés dele. Chamaram o elevador. Quando acionavam as engrenagens, pestanejava a luz do corredor. Ouviam o ronco leve da corrente elétrica. Subiu a gaiola rendada. Fizeram em silêncio a viagem de dezessete andares.  Ela deu um passo pra perto dele. Queria um abraço. Queria. Ele saiu do lugar e assistiu ao encontro dela com a parede metálica. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Que pena que eu não sou azul&lt;/em&gt;, ela concluiu gelada como a chapa de aço. &lt;em&gt;Debaixo dessa luz eu ia ser linda refletida nessa parede fosca.&lt;/em&gt; Ele olhou pra ela e fez cara de pensar. Olhou pros pés. Viu que os chinelos estavam gastos. Voltou o olhar pra ela. Olhou pro seu ombro direito. Olhou pra ela. &lt;em&gt;Você tem razão. Azul que nem a luz das bancas de jornal da Paulista&lt;/em&gt;, disse. &lt;em&gt;Eu não consideraria outro azul, meu amor&lt;/em&gt;, ela disse pra acabar o discurso. &lt;em&gt;Quer ver outros elevadores&lt;/em&gt;, ele perguntou. &lt;em&gt;Pode ser&lt;/em&gt;, ela fez que sim com a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Consolação estava congestionada. Passaram entre os carros com a preguiça medrosa do meio dia. Os escapamentos faziam tremer o asfalto no calor cinzento. O sol se prendia nos alicerces do centro e eles derretiam. O corpo ficava como borracha, como a suspensão dos ônibus. Sofia escorregava as mãos pelos capôs multicor. Lino desenhava na alma os sussurros das máquinas e seguia febril as pernas depenadas dela. Assim cruzavam as faixas. O trânsito não ameaçava movimento. Meninos vendiam balas, lavavam pára-brisas e contavam histórias. Motoqueiros deslizavam na inércia dali. Farol vermelho, verde, amarelo, vermelho, verde, amarelo. O trânsito não ameaçava movimento. Assim cruzavam as faixas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Pra onde a gente vai&lt;/em&gt;, ela queria saber. &lt;em&gt;Vou te mostrar uma coisa. Você quer ou não quer&lt;/em&gt;, disse pronto. &lt;em&gt;Me leva&lt;/em&gt;, ela disse. &lt;em&gt;Ainda tenho vontade das minhas asas. Tenho saudades delas. Elas são que nem no meu sonho tatuado. Estão aí nas costas. Como se tivessem sido amputadas&lt;/em&gt;, seguia perdida. Andavam rápido. Lino guiava. Atravessavam o vale, ignoravam os vendedores. Os profetas da tarde plasmavam discursos. Lino queria logo o destino. Sofia sonhava as asas da manhã, penas de morango e gasolina. No sol, ela se via a formiga precipitada da janela, lenta num caminho viscoso.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andavam no circo do centro em direção ao viaduto do Chá. Lino conhecia um elevador vermelho perto dali. Ficava naquele hotel onde os convidados do show de calouros se hospedavam. Na época da brilhantina paulistana, movimento de transmissões ao vivo e o Procópio Ferreira, era o elevador vermelho de luz quente que levava os convidados pra cima e pra baixo no velho Othon. Lino queria que a Sofia viajasse ali. Pra calar a boca dela ou arrancar uma lágrima. Ele achava que tinha razão e estava triste por ter andado muito devagar até agora.             &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O saguão escuro desligava o sol da rua. A madeira dos gabinetes refletia a infiltração rugosa de anos vividos. Uma lâmpada só castrava o olhar para a cara achatada de barba mal feita do homem da recepção.  A trilha sonora eram os ecos distantes de uma partida de futebol mal estampada numa tela três polegadas. O reflexo verde do campo iluminava frio a pequena sala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lino passou reto e chamou o elevador. O homem desviou o olhar do jogo por uns segundos, olhou pra ele e pra ela. &lt;em&gt;Sobe, sobe. Depois a gente acerta aqui embaixo&lt;/em&gt;, disse. Sofia girou e entrou de costas primeiro no elevador vermelho. Encostou-se na parede de trás debaixo da lâmpada amarela. Lino fechou a porta metálica e apertou o botão que levava à cobertura. Um estalo punha em marcha a velha locomotiva de polias e contrapesos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ainda estou procurando minhas mulheres amarelas&lt;/em&gt;, ele disse. Pensava &lt;em&gt;que só uma era amarela e que a outra era azul&lt;/em&gt;, ela disse. &lt;em&gt;Não. Agora o fundo vai ser azul e as duas vão ser amarelas com vestidos roxos. Vão se beijar como dois homens se arrebentam numa briga de rua&lt;/em&gt;, explicou. &lt;em&gt;Assim é melhor&lt;/em&gt;, ela disse. &lt;em&gt;Não arrisca perder a fúria de duas galinhas de briga&lt;/em&gt;, continuou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O elevador parou. Chegara ao fim do curto percurso de onze andares. A porta abriu ruidosa e Lino desfez os fechos pra sair. O corredor era escuro, decrépito. Um tapete vermelho desbotado e mofado adornava o chão de madeira infiltrada. As portas eram de um verde pálido como o campo de futebol do porteiro. Todas carcomidas nos cantos. As maçanetas de latão oxidado perderam a função. Nenhuma fechadura resistira e o hotel não recebia mais hóspedes. Vinham só turistas do acaso, legiões desencantadas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sofia saiu na frente. Caminhava oscilante, direita esquerda, numa cadência leve. Dançava a valsa dos cafés-concerto enegrecida de alcatrão. Olhava porta a porta os números tortos, a sorte ou azar dos fantasmas deixados pra trás e damas com estojos de maquiagem. Sentia roncar no estômago aquele vazio dessas horas mortas e percebeu as saudades intensas que tinha daquela época que nunca conhecera. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lino cavalgava sua indiferença. Era melhor não se emocionar. A questão não era o último piso. Era o trajeto, a estrada vertical da jaula vermelha. Ele gostava de olhar os espaços entre os pisos, as chapas de concreto maciço que entremeavam vidas inteiras, visitas notáveis e anônimas. Pensava em todo o som que morava ali, todo o ódio, amor e insatisfação cimentados. Toda a inutilidade dos impulsos era objeto do seu estudo empírico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela chegara ao fim do corredor ainda com sede. Viu que uma escada estreita levava a um alçapão no teto. Subiu. Forçou a porta e a dobradiça cedeu com o cadeado. Fez uma chuva de pó e furou a barriga do mundo de cima. A luz do meio dia rolou grossa e angular pra dentro do corredor. Lino foi atrás.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois saíram subterrâneos, expostos ao sol forte. O som era dos pássaros elétricos, aviões e helicópteros e as ondas de rádio cíclicas, marítimas. Sofia sentiu seus globos oculares captarem o sinal forte da telefonia celular e as ordens dos satélites. Lino bocejou e sentia um leve ardor nos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chão era de pedras miúdas batidas. O topo do prédio era asfaltado com essa casca granular fosca. O cinza era o mesmo cinza padrão de São Paulo. Um vermelho ou outro das embalagens de carvão e argamassa sobraram. Ali era um prostíbulo arquitetônico esquecido. Em cima, um outdoor com alguma promessa físico-monetária ou discurso retro-político. Alternava entre um e outro de acordo com o regime lunar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Por que a gente não vem morar aqui&lt;/em&gt;, perguntou Sofia. &lt;em&gt;Faz sol demais&lt;/em&gt;, ele disse. &lt;em&gt;E eu não tenho vontade de morar com você&lt;/em&gt;, terminou. &lt;em&gt;Não é por você. É por mim&lt;/em&gt;, ela disse. &lt;em&gt;Faz o favor de estar perto até eu arrancar de trás dos teus olhos o que eu preciso&lt;/em&gt;, continuou. &lt;em&gt;É que eu tô quase chegando ao fim contigo&lt;/em&gt;, ele disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;A gente podia plantar grama aqui. Falta um pouco de verde&lt;/em&gt;, ela continuou sem dar caso às frases dele. &lt;em&gt;Só se for grama azul&lt;/em&gt;, ele disse.  &lt;em&gt;Detesto esse teu verde&lt;/em&gt;, continuou. &lt;em&gt;Eu também não te amo&lt;/em&gt;, ela disse. &lt;em&gt;É uma questão de acertar obturadores&lt;/em&gt;, explicou. &lt;em&gt;Eu quero o teu vazio branco perto do meu preto cheio pra fazer imagens mais retilíneas.&lt;/em&gt; Estavam em freqüências distintas iguais. Cruzavam agudos e obtusos tortuosos descompassados, mas nunca paralelos.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sentou encostada num ferro enferrujado e retorcido. Ele entendeu pelo olhar branco dela que era pra tirar a camisa. Cedeu porque não podia ignorar pedidos oculares. Ela levantou e pôs as unhas de esmalte branco em volta do umbigo dele. Cravava com força, arranhava rosa. Com os caninos cavalares mordeu os poucos pelos do queixo dele, forte. Ele levou a mão esquerda calejada ao pescoço de graxa dela. Começou a enforcar de leve. Sentia pela mudança na respiração e as alterações na pele do pescoço que ela começava a morrer. Enquanto ela mordia com mais força o queixo dele. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Morderam e enforcaram num longo abraço. O queixo dele sangrava e a cara dela já perdera o negrume. Ela virava branca como os olhos e dentes. Ele, vermelho. Afastaram-se um do outro. Ela recuperava o fôlego e a cor. Ele limpou o sangue da cara. Olhou pra dentro dos olhos dela. Ela devolveu na mesma intensidade. Começaram a rir. Os corpos tremiam retorcidos nessa reação involuntária. Riam do ridículo. Sorriam firmes e fortes. Riam um do outro. Estrepitosa, engraxada risada. Riram. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você não é a mulher da minha vida&lt;/em&gt;, ele disse entre risos sem fôlego. &lt;em&gt;Eu te amo com todo o ódio que cabe no meu coração, meu amor&lt;/em&gt;, ela respondeu. &lt;em&gt;Então estamos de acordo&lt;/em&gt;, ele concluiu. &lt;em&gt;Só faltam minhas asas&lt;/em&gt;, ela disse. &lt;em&gt;No final, é questão de ver quem morre primeiro&lt;/em&gt;, continuou sorrindo. &lt;em&gt;Quando&lt;/em&gt;, ele perguntou. &lt;em&gt;Quando o primeiro de nós falar que tá na hora&lt;/em&gt;, ela respondeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Você está preparada pra dizer que a coisa mais linda do mundo é quando rolam as nuvens por cima desse sol às quatro da tarde&lt;/em&gt;, ele perguntou. Quando &lt;em&gt;começa aquela garoa logo chuva e todo mundo aparece lá embaixo saindo dos buracos com guarda-chuvas coloridos, pretos e brancos&lt;/em&gt;, continuou. &lt;em&gt;Sim&lt;/em&gt;, ela respondeu. &lt;em&gt;A coisa mais linda do mundo é nosso asfalto de guarda-chuvas e o assalto das nuvens&lt;/em&gt;, continuou. &lt;em&gt;Então já não precisamos de asas falsas&lt;/em&gt;, ele concluiu. &lt;em&gt;Às quatro&lt;/em&gt;, ela disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormiram lado a lado, separados num sonho único de arranha-céus cor de abóbora. A barriga preta dela subia e descia no mesmo ritmo que o coração branco dele bombeava. Lentíssimo, quase morte. Seguia o intervalo de cada trem que deslizaria lá embaixo, bem baixo subterrâneo, no calor da Sé. Sete segundos e uma batida. Sete segundos e um parto. Sete segundos de formigas. Sete guarda-chuvas por segundo que brotavam do asfalto azul da tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às quatro da tarde, as nuvens cobriram o céu. O cinza da hora despertou os dois da transe onírica. Ela levantou primeiro e acordou Lino com um chute leve nas costelas. Ele levantou. Olharam um pro outro na cumplicidade de uma antena parabólica. &lt;em&gt;Agora&lt;/em&gt;, disseram juntos. Pularam de lá de cima. Chegaram ao chão sem voar no mesmo segundo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Próximo à entrada da estação Anhangabaú apareceram duas manchas enormes, uma branca outra preta. O contraste absoluto provocava quase cegueira nos transeuntes. Só manchas de só cores que cobriam forte o asfalto. Motoristas desatentos amassavam pombos perdidos, criando manchas vermelhas de sangue e penas cinzas em volta do negro e branco. E as penas de duas cartas de baralho se espalharam pelas ruas do centro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém teve coragem de fazer arroz e feijão aquele dia. Os pratos feitos dos restaurantes por quilo do fim da Augusta tiveram um sabor azedo de pimenta e chuva ácida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-113001992798870525?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/113001992798870525/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=113001992798870525' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/113001992798870525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/113001992798870525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/10/down-down-dada.html' title='down down: dada'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-112445110618616529</id><published>2005-08-19T04:27:00.000-07:00</published><updated>2005-08-19T04:33:20.476-07:00</updated><title type='text'>bandeira in paris</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=73123&amp;image_id=4b2&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;vous avez une cavité au poumon gauche et un voile au poumon droit. alors, docteur on ne peut pas tenter un pneumothorax? non. la seule chose à faire c'est de jouer un tango argentin.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-112445110618616529?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/112445110618616529/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=112445110618616529' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112445110618616529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112445110618616529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/08/bandeira-in-paris.html' title='bandeira in paris'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-112363783557015849</id><published>2005-08-09T18:35:00.000-07:00</published><updated>2005-08-09T18:37:15.576-07:00</updated><title type='text'>ljubljana thought</title><content type='html'>we're always either trying to prove that nothing matters or that all is valid. never anything in between. nothing matters or all is valid.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-112363783557015849?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/112363783557015849/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=112363783557015849' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112363783557015849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112363783557015849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/08/ljubljana-thought.html' title='ljubljana thought'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-112345193392095089</id><published>2005-08-07T14:50:00.000-07:00</published><updated>2005-08-07T15:04:56.726-07:00</updated><title type='text'>budapest burning</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=66763&amp;image_id=7d0&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;the light at this flat was just this hot. behind is a poster of dziga vertov's 'man with a movie camera' that is framing my frazzled hair. fitting for budapest in the rain. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=66423&amp;image_id=2cd&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;the numbers along the tracks are years of popular hungarian uprisings. from the battle against the habsburgs to the struggle against soviet oppression. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=66769&amp;image_id=1aa&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;display at a store near the church of st. stephen's.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=66778&amp;image_id=5ea&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;budapest building seen from a telephone booth. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-112345193392095089?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/112345193392095089/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=112345193392095089' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112345193392095089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112345193392095089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/08/budapest-burning.html' title='budapest burning'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-112326185557825887</id><published>2005-08-05T10:09:00.000-07:00</published><updated>2005-08-07T15:07:34.030-07:00</updated><title type='text'>speed of light</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=65473&amp;image_id=862&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;city lights of bratislava seen from a bus window in the rain.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=65478&amp;image_id=cda&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;somewhere near the slovakian border with hungary.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-112326185557825887?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/112326185557825887/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=112326185557825887' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112326185557825887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112326185557825887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/08/speed-of-light.html' title='speed of light'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-112326174044335255</id><published>2005-08-05T10:05:00.000-07:00</published><updated>2005-08-07T15:10:23.336-07:00</updated><title type='text'>slovak summer</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=65452&amp;image_id=c33&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sonya tries to learn slovak in the rain. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=65457&amp;image_id=0c5&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;passengers wait in the rain at a bratislava bus stop. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=65464&amp;image_id=0f5&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;early august in bratislava. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=65467&amp;image_id=8e0&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;sonya takes cover at a café. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-112326174044335255?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/112326174044335255/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=112326174044335255' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112326174044335255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112326174044335255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/08/slovak-summer.html' title='slovak summer'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-112315013617569029</id><published>2005-08-04T03:06:00.000-07:00</published><updated>2005-08-04T03:08:56.180-07:00</updated><title type='text'>vienna tryptich</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=64791&amp;image_id=05c&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=64792&amp;image_id=833&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=64793&amp;image_id=7e4&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-112315013617569029?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/112315013617569029/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=112315013617569029' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112315013617569029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112315013617569029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/08/vienna-tryptich.html' title='vienna tryptich'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-112233351021551753</id><published>2005-07-25T16:14:00.000-07:00</published><updated>2005-07-25T16:18:30.216-07:00</updated><title type='text'>indigo boy</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=60656&amp;image_id=975&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;se tivesse a pele mais azul, se perderia naquele céu de noite chuvosa. sentia então a dificuldade de engolir o caco de vidro encontrado. ameaçava rasgar-lhe a garganta com cada movimento da mandíbula. tinha na língua o fragmento mais pontiagudo de fim de amor possível. mãos brancas de pele e osso conseguiram anular a continuidade de um cristal cheio de vinho. e agora ele comia culpado e faminto o que sobrou da&lt;br /&gt;artista desencantada. o que se pode querer mais quando já não uma voz de noite chuvosa estralada de jazz? a língua cortada bem no momento em que a ansiedade deu&lt;br /&gt;lugar à decepção. engoliu e augusta ficou mais azul que ele. mais uma vez o ranger de pele seca e algo especular.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-112233351021551753?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/112233351021551753/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=112233351021551753' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112233351021551753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112233351021551753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/07/indigo-boy.html' title='indigo boy'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-112233313747253127</id><published>2005-07-25T16:07:00.000-07:00</published><updated>2005-07-25T16:12:17.476-07:00</updated><title type='text'>rumo à sicilia</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=60671&amp;image_id=7b0&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=60664&amp;image_id=8fe&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=60673&amp;image_id=d20&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=60667&amp;image_id=520&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=60672&amp;image_id=ce1&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-112233313747253127?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/112233313747253127/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=112233313747253127' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112233313747253127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112233313747253127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/07/rumo-sicilia.html' title='rumo à sicilia'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-112082698529996247</id><published>2005-07-08T05:47:00.000-07:00</published><updated>2005-07-08T08:01:03.720-07:00</updated><title type='text'>philosophy: let's go</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=52775&amp;image_id=f73&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;..cuando abra la puerta y asome a la escalera sabré que abajo empieza la calle; no el molde ya aceptado, no las casas ya sabidas, no el hotel de enfrente; la calle, la viva floresta donde cada instante puede arrojarse sobre mí como una magnolia, donde las caras van a nacer cuando las mire, cuando avance un poco más, cuando con los codos y las pestañas y las uñas me rompa minuciosamente contra la pasta del ladrillo de cristal, y juegue mi vida mientras avanzo paso a paso para ir a comprar el diario de la esquina. - julio cortázar/&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=52761&amp;image_id=b9f&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=52768&amp;image_id=cea&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=52767&amp;image_id=b94&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=52770&amp;image_id=11a&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=52780&amp;image_id=95f&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=52784&amp;image_id=41e&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=52787&amp;image_id=d54&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;img src="http://www.couchsurfing.com/show_image.jpeg?id=52788&amp;image_id=940&amp;user_id=155553&amp;large=1"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-112082698529996247?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/112082698529996247/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=112082698529996247' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112082698529996247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/112082698529996247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/07/philosophy-lets-go.html' title='philosophy: let&apos;s go'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111874304744352690</id><published>2005-06-14T02:47:00.000-07:00</published><updated>2005-06-14T02:57:27.443-07:00</updated><title type='text'>moscow beats</title><content type='html'>heart beats scattered across russia. things insane in a blaze fast of summer cold and white nights. train from st. petersburg that swings with underground wind currents to moscow that sinks in its sundry gloom in perfect recall of sao paulo. dirt and chaos covered roads and packed food markets, busy lives, signals, queues, anger and stress. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;this is the farthest away i have ever been from home and the closest foreign match to the city of my heart. this is the seat of the kremlin and halls underground bedecked with chandeliers. the sun is to never set in a town like this.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111874304744352690?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111874304744352690/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111874304744352690' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111874304744352690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111874304744352690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/06/moscow-beats.html' title='moscow beats'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111874222770394685</id><published>2005-06-14T02:40:00.000-07:00</published><updated>2005-06-14T02:43:47.703-07:00</updated><title type='text'>baltic (left of tallinn)</title><content type='html'>this is the farthest away from home i have ever been. at least the farthest from any idea of home i've ever had. and aljona in her hot pink coat took me to the shore of the baltic sea. she pointed the lights in the distance and said that was finland. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;there is something strangely dazzling about slowly crossing the hard packed sand of a beach far away and looking off not to imagine but to see yet another distant land shimmering on the horizon. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;and we had ukrainian soup for dinner overlooking the brightest sky there was to see in this first of few white nights this time around.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111874222770394685?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111874222770394685/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111874222770394685' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111874222770394685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111874222770394685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/06/baltic-left-of-tallinn.html' title='baltic (left of tallinn)'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111874200265300241</id><published>2005-06-14T02:36:00.000-07:00</published><updated>2005-06-14T02:40:02.656-07:00</updated><title type='text'>sky over berlin</title><content type='html'>and rain hasn't left me for a moment in berlin. my wordless days have taught me tricks about solitude and pain. music can stall and disguise most ugly sentiments. today was another lost wandering, searching i don't know where for i don't know what. from the cafe windows i see the showered pavement shining under the neon and ridden with the roar of bicycles and trams on glistening tracks. to give me peace of my mind is the plane ticket to tallinn at home.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111874200265300241?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111874200265300241/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111874200265300241' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111874200265300241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111874200265300241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/06/sky-over-berlin.html' title='sky over berlin'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111756177642656263</id><published>2005-05-31T10:39:00.000-07:00</published><updated>2005-05-31T10:52:17.256-07:00</updated><title type='text'>london un(der)conscious</title><content type='html'>london happens. for a reason unknown it raves. for its tastes and smoke, crave. grey skies over trafalgar square and the seamless tube. cheers where ecstasy's cheaper than beer. tongues foreign in rhythm frenetic. lynx of power in delusion and coppered madness. frenzy of gusts of blackness on the thames. light up piccadilly with smiles of bloomsbury and the books of charing cross rd. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;and for that girl life managed to continue in red hair, symphonic love and outrageous laughter. sickness no more and purse strings loose in the town that's hot. hype follows fashion. british absolute underground. splash. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;strings of pearls, unite. desire for her constellations plastic in chrome garments. naked at the court of her earl and bathed in westminster chime of burberry. no such thing as a free ride. and we board with the certainty of getting off sooner than expected. suffer in each jaunt and ache of every joint. sore in times of sour and the arrest of clockworks in the blaze of may.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;this month has passed to feed on a love deadened every day and electric in the night of soho. to fill her eyes with tears with my foolish and lovingly mad persistence. heart twisted over the atlantic, sao paulo, chicago and london. hear the rail and soothe with sighs of smoothness at buckingham gate. waiting to depart the land of draining specificity.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111756177642656263?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111756177642656263/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111756177642656263' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111756177642656263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111756177642656263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/05/london-underconscious.html' title='london un(der)conscious'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111692502523754263</id><published>2005-05-24T01:53:00.000-07:00</published><updated>2005-05-25T15:39:31.250-07:00</updated><title type='text'>correspondência de praga</title><content type='html'>as ruas de praga têm som de jazz e a alemanha oriental é mais minha cara. de frankfurt tomamos o trem pra leipzig, cidade de compositores como bach. seguimos pra dresden, cidade de destruição e motivo das fotografias de robert capa e lee miller no fim da guerra. só ano que vem terminam de reconstruir o que têm como símbolo da cidade, a frauenkirche. o lado de lá tem muros pixados e calçadas quebradas. tem gente que sorri nas ruas e sol que queima a pele de verdade. tem fôlego coletivo e febre de novidade o charme da alemanha que penou sob domínio soviético. está longe da esterilidade do plano marshall e cidades sobre colinas. sobrou caos no lado onde os americanos demoraram pra chegar. sou mais dresden, mas já te vejo em frankfurt. se você ainda é o mesmo, as células francoforteanas e os strassebahn sempre pontuais no percorrer caminhos de assepsia vão te tocar mais forte. a alemanha cola como resina e piche.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;consertavam muitas calçadas de praga adornadas com trilhos e jazz. o metrô é vermelho e tem motivos futuristas. o bairro judeu é art nouveau e todo mucha. tem um portinari solitário na galeria nacional que chora como um orozco de linhas duras. não por acaso fica perto dos expressionistas alemães, dix e grosz. henri rousseau brilha com seu sarro parisiense e lichtenstein teve tempo de golpear praga com suas tiras de violência plush.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a cidade derrama amor. desejo e vontade despejam dos bondes de rua. as mulheres evocam modigliani, os homens têm a dureza de cristal líquido no verão em mandíbulas pétreas. rosas e o café onde kafka escrevia. cemitério judeu e sinagogas na linha de&lt;br /&gt;trams rosa e corujas e águias nos jardins do castelo. os bicos dos peitos se arrepiam com o vento do vltava. as mulheres de praga não usam sutiã e trajam calças&lt;br /&gt;escuras com sandálias delicadas. é primavera na cidade das revoluções. o jan hus continua verde e sólido na praça velha. agora entendo como as minissaias derrubaram os tanques soviéticos. assim explicou kundera. e sua teresa era uma jornalista que corria com sede por essas ruas, a lee miller de praga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;atrás da wenceslas tem a rua mais perfeita. escancara o teatro tcheco, deixa ver as engrenagens da praga depois do palácz lucerna. mostra o desenrolar em direção a vinohrady, bairro moderno com antenas de transmissão e baladas gls. os bondes de rua passam mais rápido por aqui. o café é mais industrial e as lojas tocam música cubana sem medo. são os hinos de uma praga quase paulistana com seus cavalos dependurados dos tetos e um choro preto de caos e faminto de progresso. é a cara capitalista do que nunca foi fortaleza de ideais contrários. é a cara do barroco e neo-gótico que sobreviveu à destruição de um século ardente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já voltei de praga. atravessei a áustria com arranhões tchecos de realidade e o medo dos subúrbios padronizados da estação haje. voltei ciente da invasão britânica: tesco, penny market, marks &amp; spencers e a bbc na czech news agency. e sobra espaço pra fascínio e resistência à privatização. os jornalistas de praga preferem nova york.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111692502523754263?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111692502523754263/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111692502523754263' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111692502523754263'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111692502523754263'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/05/correspondncia-de-praga.html' title='correspondência de praga'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111692094713622535</id><published>2005-05-24T00:46:00.000-07:00</published><updated>2005-07-27T03:58:07.770-07:00</updated><title type='text'>o mais importante é saber se vai chover</title><content type='html'>&lt;img src="http://img5.allocine.fr/acmedia/medias/nmedia/18/35/34/80/18385577.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;..ask her what she'll do on a rainy night without the opera/&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111692094713622535?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111692094713622535/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111692094713622535' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111692094713622535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111692094713622535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/05/o-mais-importante-saber-se-vai-chover.html' title='o mais importante é saber se vai chover'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111610402724904796</id><published>2005-05-14T13:53:00.000-07:00</published><updated>2005-05-24T00:46:18.876-07:00</updated><title type='text'>valentina</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.lambiek.net/artists/crepax/crepax_girl.gif"&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111610402724904796?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111610402724904796/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111610402724904796' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111610402724904796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111610402724904796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/05/valentina.html' title='valentina'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111038499129471177</id><published>2005-03-09T08:13:00.001-08:00</published><updated>2005-07-27T03:59:22.336-07:00</updated><title type='text'>o salto</title><content type='html'>Na queda livre, as luzes iam mais rápido. Ficava imaginando cair. Todos os dias pela manhã, ao lavar o rosto com sabonete hidratante, pensava no calor das luzes por trás da neblina que os prédios exalavam. Seria mais veloz de cabeça pra baixo. De uma só vez não sentiria tanto o vento e se concentraria na fumaça e nas sirenes. Talvez seria melhor enterrar as unhas na pele do pescoço. Então assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou pra ver que deixara um bilhete. Foi pra Sicília sem mais. Pegou aquele trem que atravessa o mar de balsa. No dorso da embarcação. Estaria ela sem sentir nada. Era época de laranjas por lá. Foi pelo gosto cítrico. Não agüentava mais água sabor trilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomou seu banho quente de vapor seco. A pele esticada rangia. Era o gelo que escorregava montanha abaixo e bloqueava o trânsito perto da estação. Tinha policiais confusos, ônibus imóveis, metrô parado. A barba por fazer olhava feia do espelho. O olho esquerdo fazia força pra perder o vermelho. O direito normal, sem beleza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andou sem roupa pelo quarto. Também já não podia com os pelos da barriga.&lt;br /&gt;Descascou uma laranja com as mãos. Roxíssima, engano. Passada, podre. Só na Sicília onde ela estava sem sentir nada. Já não podia. E a chuva continuava presa lá nas montanhas. O mar confuso entre inverno e África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O telefone mudo e janelas que dão pra avenida do hospital. Passam ambulâncias. Sirenes e gritos sem voz. Pele descamada e dor nas costas e nos ombros. Era melhor pular à noite. Não haveria tanta gente pra ver. Mas as cortinas de ferro teriam que permanecer abertas o dia todo. Talvez alguém estivesse olhando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado da rua, sua sombra dançava mais feia. Zombava da figura deixada pra trás. Ela estava na Sicília e não sentia nada. Ele, esquecido, sentia só a pele ficar menor que as vísceras. Encolhia de calor ártico. Logrou ter sangue azul sem alquimia. Nada do ouro de Florença. A última laranja descascada e não comida já estava no lixo. O último trem pra Palermo já saíra. Sem mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111038499129471177?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111038499129471177/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111038499129471177' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111038499129471177'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111038499129471177'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/03/o-salto.html' title='o salto'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111038548467775289</id><published>2005-03-09T08:13:00.000-08:00</published><updated>2005-03-10T05:58:53.016-08:00</updated><title type='text'>eisner spritz</title><content type='html'>Três gotas de sangue mancharam o sapato de couro branco no chão de azulejos brancos da sala branca de operação. A enfermeira apoiou as mãos de látex na mesa de aço e ajustou a touca que prendia os cabelos negros.&lt;br /&gt;—Doutor, acho que está frouxo aqui onde foi encaixado. Vazou um pouco.&lt;br /&gt;—Deixa ver. Fica de olho nisso, por favor. Eu não posso me distrair desse lado aqui. Pode entrar água demais.&lt;br /&gt;—Já terminou os braços?&lt;br /&gt;—As duas pernas já, o braço direito ainda dá um pouco de trabalho. Depois a gente começa a trabalhar no peito e na cabeça.&lt;br /&gt;—A região dos olhos parece muito sensível. Já começou a drenagem ali? Quer que eu busque mais da solução?&lt;br /&gt;—Tem muito pouco, Alice. Quase não choveu esse mês. É melhor deixar o que ainda tem pro que é mais importante. Com as pernas e o outro braço a gente dá um jeito.&lt;br /&gt;—E a drenagem?&lt;br /&gt;—Tem razão. Eu já preparei tudo ali na cabeça. Só falta fazer as incisões principais. Pega o bisturi.&lt;br /&gt;—É muito arriscado, doutor. Acho melhor o senhor fazer isso. Tenho medo que dê errado.&lt;br /&gt;—Se você tem um pouco de receio, cuida aqui desse braço, que eu faço os cortes. Olha pra você aprender. O próximo está nas tuas mãos.&lt;br /&gt;Alice viu com olhos imóveis a lâmina traçar contornos vermelhos no rosto do paciente. Os cortes estratégicos faziam jorrar pra fora o sangue. Parecia vulcão. Cabos levavam o líquido para o recipiente onde eletrodos controlavam a mistura. Choques intermitentes determinavam as porcentagens da água da chuva e o mercúrio. Outro tanque acrescentava doses de ferro e outras substâncias vitais. O sangue do paciente então escorre filtrado para a rede de esgoto.&lt;br /&gt;—Sabia que minha irmã é atriz?&lt;br /&gt;—É mesmo? Famosa? – perguntou sem olhar.&lt;br /&gt;—Um pouco.&lt;br /&gt;—Você preferiu a fama dos livros médicos. – disse sem tirar os olhos dos aparelhos de medição.&lt;br /&gt;—Mais ou menos.&lt;br /&gt;Uma ambulância passou pela avenida. O som das sirenes fez tremer os cabos de sangue. Alice foi até a janela e afastou um pouco a cortina.&lt;br /&gt;—Vai chover, doutor.&lt;br /&gt;—Certeza?&lt;br /&gt;—Parece. O céu parece muito carregado. Olha o vermelho.&lt;br /&gt;—Espero que não. Tudo bem que ajudaria aqui no consultório, mas – e foi até a janela – a Rebouças está um desastre. Precisava sair daqui logo.&lt;br /&gt;—Posso fumar um cigarro? Estou morta.&lt;br /&gt;—Vai, vai. Agora aqui vai demorar. A gente deixa ele assim pelo menos até amanhã. Com o cérebro não dá pra brincar. Eu deixei aqui na diluição automática, mas até preencher todos os capilares.&lt;br /&gt;—Me acompanha?&lt;br /&gt;—Eu não fumo, Alice.&lt;br /&gt;—Mas vem só pra fazer companhia.&lt;br /&gt;Quando se aproximou para tomar a mão do médico, encostou o pé esquerdo num dos cabos coletores. O sapato branco ficou mais vermelho de sangue.&lt;br /&gt;—Merda. Isso não sai de jeito nenhum. E a gente ainda insiste em trabalhar de branco. Os uniformes tinham que ser vermelhos também. E esse céu com cara de chuva. Queria um café.&lt;br /&gt;—Essa hora aqui no prédio não tem mais ninguém. E eu já tentei comprar das máquinas.&lt;br /&gt;—E até quando a gente vai trabalhar assim, doutor Ivo?&lt;br /&gt;—Estou esperando o conselho aprovar a prática. Por enquanto é uma coisa clandestina. Você só está aqui comigo porque confiam em você lá em cima.&lt;br /&gt;—Sei que tem seu dedo nisso, mas também tive que trabalhar muito.&lt;br /&gt;—Pediram que indicasse uma profissional. Você estava entre as melhores.&lt;br /&gt;—Obrigada. Eu sei que pode ser muito importante pra minha carreira.&lt;br /&gt;—Vai muito além disso, Alice. Isso pode mudar a história da humanidade. Nós somos os alquimistas do futuro.&lt;br /&gt;—Por enquanto não sei de nada. Quero ver como vai ficar o primeiro. Tem certeza que ele não vai ficar muito azul?&lt;br /&gt;—Não sei, Alice. A cor por enquanto vai ser assim. Não tem outro jeito. Tenho medo de acrescentar qualquer pigmento. A mistura de mercúrio com chuva é uma descoberta milagrosa. Consegue fazer papel de sangue. Agora qualquer outra substância pode provocar uma reação catastrófica. Precisa ter cuidado.&lt;br /&gt;—E o problema dos globos oculares? Conseguiu diluir bem os metais?&lt;br /&gt;—Isso sim. É chuva a solução. A água tem um certo grau de acidez que impede qualquer coágulo interno. Não vai bloquear nunca a passagem de oxigênio a nenhum vaso, nem mesmo os microscópicos dos olhos.&lt;br /&gt;Alice olhou pro céu lá fora. Nuvens engrossavam e a Rebouças engessada. Catou o olhar do médico com o gancho do seu olho direito. Agarrou com força o jaleco branco dele, deixando marcas de dedo com o sangue das luvas. Puxou o rosto de Ivo pra perto do dela. Lambeu a testa do doutor.&lt;br /&gt;—A saliva também tem certo grau de acidez que impede coágulos. Por isso aftas demoram pra sarar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sarita apagou o cigarro e deixou o copo plástico sobre a mesa cenográfica.&lt;br /&gt;—Não posso chorar. Não me faça chorar agora.&lt;br /&gt;—Precisa chorar aqui – disse apontando pro texto. – Eu sei que está cansada, mas a gente tem que acertar isso hoje, querida.&lt;br /&gt;—Manchei de café o vestido. Desculpa.&lt;br /&gt;—Amanhã a gente manda pra lavanderia bem cedo. O pessoal em Londres quer estrear ainda esse mês. Você sabe que isso é importante pra companhia.&lt;br /&gt;—Cala a boca, Jorge. Eu sei que é importante. Por acaso agora tenho cara de estúpida? Eu sei que é importante. Desculpa pela mancha, desculpa o cigarro, desculpa o inferno.&lt;br /&gt;—Calma. Vamos lá.&lt;br /&gt;Jorge limpava impaciente as lentes dos óculos. Pediu com olhos cansados pra que o rapaz dos holofotes ajustasse de uma vez a intensidade das luzes. Não agüentava a penumbra incerta e o contraste com os relâmpagos lá fora.&lt;br /&gt;—Luzes. Será que dá pra acertar dessa vez?&lt;br /&gt;Sarita não enxergava o diretor. Só falava em sua direção.&lt;br /&gt;—Não agüento mais ensaiar sozinha, Jorge. Eu entendo a pressa deles, mas fica difícil sem o Marco.&lt;br /&gt;—A gente tem que trabalhar com a possibilidade de substituição. Se ele não sair logo do hospital, acho outro. Amanhã é o dia. Não sei por que quis fazer essa cirurgia agora.&lt;br /&gt;—Eram os olhos, Jorge. Ele não se acostuma com as lentes e o personagem não usa óculos.&lt;br /&gt;—Que ele não pode usar óculos eu sei, minha querida. Mas sei lá, arranjasse outro jeito. Todo dia agora eu tenho que explicar que temos um problema com um dos atores que se adoentou. – Suspirou fundo, tirou e pôs novamente os óculos. – Mas isso é um monólogo. Vai, anda logo.&lt;br /&gt;—Não consigo enxergar.&lt;br /&gt;—O texto, Sarita. Texto, por favor. Segue.&lt;br /&gt;—Eu não consigo enxergar. Não consigo ver mais nada na minha frente e desses olhos não saem lágrimas tão cedo. Já chorei tudo que tinha que chorar.&lt;br /&gt;—Eu não consigo enxergar como vai andar pra frente esse projeto. Eu não consigo enxergar como vão tirar essa mancha de café. A performance não pode ser assim: coagulada. Já não devíamos estar aqui. Apaga tudo – disse ao rapaz dos holofotes. – Agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A previsão era de chuva na zona oeste. Na Pompéia, onde ensaiava Sarita e na Doutor Arnaldo, onde Ivo e Alice trabalhavam na diluição, já caíam as primeiras gotas. Trovoadas depois e era tudo vermelho. O sangue caía pesado e férreo. Manchava os prédios e o asfalto. O trânsito obedecia coagulado. Algo estava errado.&lt;br /&gt;—Doutor, o que acontece?&lt;br /&gt;—Não sei, Alice. Talvez seja o sangue que a gente tem desviado para a rede pública. Mas impossível cair assim como chuva. É muito sangue.&lt;br /&gt;—É um processo químico desconhecido. Só pode ser. É outro tipo de alquimia, outro tipo de reação, Ivo.&lt;br /&gt;—Não sei o que dizer, Alice. Talvez seja uma coincidência macabra.&lt;br /&gt;—Vou dar uma olhada no paciente. – O médico a seguiu até a sala de operação. Alice ajustava a saia ao caminhar.&lt;br /&gt;—Parece tudo normal, não?&lt;br /&gt;—Sim. Nada fora do comum. A tela mostra que ainda falta um terço da diluição, mas tudo parece ter corrido bem.&lt;br /&gt;Ivo checou o pulso e olhou as pupilas do paciente. Normal.&lt;br /&gt;—Está bem, Alice. Deixa. Hoje só amanhã. Esse vermelho lá fora pode ser a mudança da estação. Ou chuva ácida. Às vezes é a poluição do rio.&lt;br /&gt;Alice foi à sala ao lado. Ligou o rádio à espera de notícias. Transmitiam um jogo de futebol. Nenhuma estação mencionava a chuva de sangue. Ivo se assustou quando o paciente acordou. Arrebentou os cabos que o mantinham preso à mesa. Dos furos nas veias vazava um pouco de chuva. Sua pele ganhara a cor azul escura do começo de noite paulistana.&lt;br /&gt;—Como se sente? – perguntou o médico perplexo.&lt;br /&gt;—Acabou? Já foi?&lt;br /&gt;—Não se mexa. Espera.&lt;br /&gt;Marco não obedeceu e desceu nu da mesa de operação. Seus pés azuis traçavam um caminho incerto entre as gotas de sangue espalhadas pelos azulejos. Alice então entrou na sala.&lt;br /&gt;—Já terminou o processo, doutor?&lt;br /&gt;—Não sei, Alice.&lt;br /&gt;O homem azul esbarrou num carrinho com instrumentos. Tesouras e bisturis voaram ao chão numa trovoada metálica.&lt;br /&gt;—Não consigo ver. Não enxergo nada, doutor Ivo.&lt;br /&gt;—Calma. Deixa ver os olhos.&lt;br /&gt;Ivo foi até o paciente e examinou as pupilas. Normais.&lt;br /&gt;—Talvez seja melhor fazer uma radiografia. – disse Alice.&lt;br /&gt;—Eu não posso esperar – disse Marco – tenho que ir. Alguém me espera. Estão me esperando. Já dá pra ver mais ou menos. As coisas só ficam azuis.&lt;br /&gt;—Espera, Marco. Olha a chuva lá fora. Você também não pode ir embora assim. A gente nem sabe como está a sua saúde.&lt;br /&gt;—Normal, Alice. Está normal. – disse Ivo.&lt;br /&gt;—Eu não acho uma boa idéia ele sair assim. Nem terminou a diluição.&lt;br /&gt;—Está bem, Alice. Deixa ele ir. Só vai tomar um pouco da sua chuva lá fora.&lt;br /&gt;—Me sinto bem. É verdade. Só tenho a vista um pouco embaçada, como se tivessem nuvens dentro dos olhos. É meio que um mar de ponta cabeça.&lt;br /&gt;—Eu não sei, Marco. Não sei o que você queria. Não entendo de literatura. Te deixei o mais próximo da chuva possível. O mercúrio que a gente acrescentou foi pra que não perdesse o peso, a substância. Quanto à pele, você v-&lt;br /&gt;—Está bem. Gosto desse azul.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sarita morava na rua Augusta. Desceu na Consolação e seguiu em direção ao centro. Estava encharcada de sangue. Tirou os sapatos e foi caminhando descalça pelo asfalto ensangüentado. Achou bonita a rua assim. O vermelho absorvia bem o calor dos néons. Pensava na peça, no vestido manchado e na turnê mal resolvida. Sentiu saudades dele e seu gosto no sangue que caía do céu.&lt;br /&gt;Daí, alguns metros antes da entrada do seu prédio, viu o homem azul. Ficava melhor assim. Não perguntou por que tinha sumido. Só tomou as rosas que ele trazia, tirou o sangue dos cabelos e deu um beijou no homem de chuva. A diluição estava completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;...e agora a previsão do tempo para amanhã: pela zona oeste chuva tipo 'o positivo', a zona sul passa a manhã livre de precipitação, porém pela tarde pode haver garoa tipo 'b'. o centro também recebe pancadas tipo 'b' com possível contaminção. neste momento, trânsito coagulado para quem segue em direção à avenida paulista pela rebouças. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111038548467775289?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111038548467775289/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111038548467775289' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111038548467775289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111038548467775289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/03/eisner-spritz.html' title='eisner spritz'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111038592156205474</id><published>2005-03-08T08:30:00.000-08:00</published><updated>2005-03-12T13:40:40.523-08:00</updated><title type='text'>les mains sales</title><content type='html'>Olga : Attends. Tu as une nuit. Beaucoup de choses peuvent arriver en une nuit.&lt;br /&gt;Hugo : Que veux-tu qu’il arrive ?&lt;br /&gt;Olga : Des choses peuvent changer.&lt;br /&gt;Hugo : Quoi ?&lt;br /&gt;Olga : Toi. Moi.&lt;br /&gt;Hugo : Toi ?&lt;br /&gt;Olga : Ça dépend de toi.&lt;br /&gt;Hugo : Il s’agit que je te change ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;...da peça 'les mains sales' de jean-paul sartre&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111038592156205474?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111038592156205474/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111038592156205474' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111038592156205474'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111038592156205474'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/03/les-mains-sales.html' title='les mains sales'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-111038644430466653</id><published>2005-03-07T08:30:00.000-08:00</published><updated>2005-03-09T08:54:29.416-08:00</updated><title type='text'>macbeth</title><content type='html'>MACBETH&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;stars, hide your fires,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;let not light see my black and deep desires.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;act I, scene iv&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;LADY MACBETH&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;come, you spirits &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;that tend on mortal thoughts, unsex me here,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;and fill me from the crown to the toe top-full&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;of direst cruelty. make thick my blood,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;stop up th'access and passage to remorse,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;that no compunctious visitings of nature&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;shake my fell purpose, nor keep peace between&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;th'effect and it. come to my woman's breasts,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;and take my milk for gall, you murd'ring ministers,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;wherever in your sightless substances&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;you wait on nature's mischief. come, thick night,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;and pall thee in the dunnest smoke of hell,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;that my keen knife see not the wound it makes,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;nor heaven peep through the blanket of the dark &lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;to cry 'hold, hold!'.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;act I, scene v&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;MACBETH&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;tomorrow, and tomorrow, and tomorrow&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;creeps in this petty pace from day to day&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;to the last syllable of recorded time,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;and all our yesterdays have lighted fools&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;the way to dusty death. out, out, brief candle!&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;life's but a walking shadow, a poor player&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;that struts and frets his hour upon the stage,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;and then is heard no more. it is a tale&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;told by an idiot, full of sound and fury,&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;signifying nothing.&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;act V, scene v&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;em&gt;...da peça 'macbeth' de william shakespeare&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-111038644430466653?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/111038644430466653/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=111038644430466653' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111038644430466653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/111038644430466653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/03/macbeth.html' title='macbeth'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110790421523904920</id><published>2005-02-09T00:00:00.000-08:00</published><updated>2005-02-28T02:45:30.466-08:00</updated><title type='text'>milano-genova</title><content type='html'>Era um domingo de sol e carnaval em Milão. A saída da estação Duomo estava coberta de papel picado e sobras de baile. Na praça, crianças fantasiadas corriam no meio da festa no frio do inverno. Algumas muito pequenas não saiam do colo dos pais. Policiais olhavam de longe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressiona nesse tempo sempre o vento gélido na saída do metrô, mas nessa estação tem também a vista deslumbrante da catedral. Naquele domingo, estava toda coberta com telas e andaimes. Enquanto o Teatro alla Scala acaba de ser restaurado, Il Duomo passa por reformas. A Vittorio Emanuele estava meio deserta. Multidão só no McDonald’s. Foi tudo que deu pra ver em duas horas de espera em Milão para pegar o trem até Gênova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corri atrasado pra Stazione Centrale. Peguei o trem no último minuto e demorei pra acomodar a bagagem. Os outros passageiros me olhavam como se fosse um louco. Deviam pensar que ia passear em Gênova, não trazer minha vida pra cá. E agora está tudo aqui e faz muito frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade não é muito grande, mas abriga uma universidade, duas estações de trem, o maior aquário da Europa, a antiga casa de Cristóvão Colombo, incontáveis igrejas e catedrais, várias lojas de grife. Enfim, dá pra se cansar bastante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não conheci tudo. Passei os últimos dias resolvendo questões burocráticas, que ainda tento resolver. Meu quarto aqui é melhor do que pensava. É espaçoso, tem uma mesa para estudar, uma pia só pra mim, um armário. E a vista é linda: a via San Martino inteira e lá em cima as casinhas nas montanhas nevadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O som que mais se ouve em Gênova é o de sirenes. Não sei por que tem sempre uma ambulância passando pela San Martino ou a rua de frente, a Gastaldi. E quando não é ambulância é um carro de polícia. Morre-se e rouba-se muito em Gênova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda estou sozinho num quarto para dois e por enquanto estou feliz. Não consigo ficar sozinho por muito tempo. Tem que ter sempre alguém pra me dar um abraço, um beijo, conversar. Isso faz muita falta. Mas por enquanto aproveito o tempo pra mim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje fui à Questura, a polícia daqui. Tenho que me apresentar, mostrar que estou aqui e explicar por quê. Faltam alguns papéis. Sempre faltam alguns papéis. E tenho que fazer um seguro de saúde, mas pra isso tenho que ter &lt;em&gt;il permesso di soggiorno&lt;/em&gt;, mas pra isso tenho que ter um seguro de saúde. A burocracia brasileira tem grandes mestres aqui na Itália. A mulher da universidade que anda cuidando do meu caso descreve a situação como um gato que morde o próprio rabo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra constatação sobre a fauna local: a mexicana que chegou para o mesmo programa diz que aqui &lt;em&gt;hasta las palomas son gordas&lt;/em&gt;. Quer dizer que as pombas daqui vivem melhor que as mexicanas porque são européias. De fato, as pombas daqui não carecem de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o México, perguntei sobre a fronteira. Érika me contou de uma amiga que entrou ilegalmente nos Estados Unidos, foi raptada e estuprada por outro mexicano ilegal com quem teve três filhos e ficou anos no país até conseguir fugir de volta para o México. Continuo à caça de idéias para o TCC e acho que mais pra frente farei uma visita a Lampedusa, uma cidade na Sicília que serve como ponto de entrada para africanos clandestinos na Europa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um professor universitário italiano foi preso dia desses no Charles de Gaulle em Paris por reclamar da maneira cruel que os agentes da polícia migratória francesa tratavam um clandestino vindo num vôo de Senegal. Junto com o italiano, foi preso outro professor francês que estava no mesmo vôo. Estava no &lt;em&gt;La Stampa&lt;/em&gt; que leio sempre no café da manhã que consiste em um pedaço de pão e um café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas histórias sempre mexem comigo. Preciso andar logo com minhas pesquisas. E hoje conheci alguém que se interessou pelo trabalho. Franco é um estudante italiano de ciências políticas. Ele me parou na rua pra distribuir um folheto sobre um curso que os Giovani dei Circoli Operai vão oferecer em março. Talvez me junte ao grupo de marxistas. Menos por ideologia e mais porque o Franco é extremamente simpático e muito bonito. Me estendeu a mão e disse &lt;em&gt;piacere&lt;/em&gt;. Não difere do jeito que todos aqui na Itália se cumprimentam, mas o &lt;em&gt;piacere&lt;/em&gt; dele foi mais prazeroso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora escuto &lt;em&gt;Tenderly&lt;/em&gt; na voz de Chet Baker. Lá fora, mais neve e mais sirenes. Amanhã começo as aulas de italiano. Não tem como não lembrar daquele filme &lt;em&gt;Italian for Beginners&lt;/em&gt;. Os alunos todos estrangeiros meio perdidos e histórias de vida que começam a se cruzar. E o Circoli Operai acaba de me ligar, confirmando o convite para o encontro desta quinta-feira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110790421523904920?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110790421523904920/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110790421523904920' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110790421523904920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110790421523904920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/02/milano-genova.html' title='milano-genova'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110781370213061054</id><published>2005-02-05T21:46:00.000-08:00</published><updated>2005-02-07T14:01:42.130-08:00</updated><title type='text'>a'dam em três</title><content type='html'>Vou lembrar de Amsterdã por três coisas fantásticas que vi e não achei estranho nessa cidade. No museu Van Gogh, enquanto via um dos quadros, senti que algo tocava meu pé. Era a bengala branca de um senhor cego. Saí do lugar para que ele passasse, mas ele parou ali. Certificou-se de que estava diante de um quadro. Era a paisagem marinha de Saintes Maries-de-Mer. Tirou os óculos escuros e ficou olhando. Não desgrudava os olhos brancos da água azul da tela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De madrugada, a Leidsestraat vazia, uma mulher passava de bicicleta. Dava pra ouvir só o sino e a voz dela cantando "oh Lord, won’t you buy me a Mercedes Benz" enquanto carregava uma flor branca gigantesca. Só ela, a flor e a música ecoando entre os prédios que parecem despencar eternamente sobre os canais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E teve mais um. Chegando de trem na Centraal Station, vi milhares de gaivotas voando em torno da Sint Nicolaaskerk. Entrei na igreja e o coral começou a cantar. O grave dos tenores fez afundar no peito certo conforto, me encaixou nas engrenagens daqui. O agudo das sopranos pontuava o que foi brotando da minha saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí antes do fim da missa e continuei até a Dam, onde fica o palácio da rainha Beatrix e um carrossel. Dobrei à esquerda na Warmoestraat e olhei pelas janelas dos hotéis de luxo. Hoje foi o dia mais frio em Amsterdã. Amanhã enfrento a Itália.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110781370213061054?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110781370213061054/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110781370213061054' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110781370213061054'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110781370213061054'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/02/adam-em-trs.html' title='a&apos;dam em três'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110781355557332072</id><published>2005-02-04T19:54:00.000-08:00</published><updated>2005-02-07T13:59:15.573-08:00</updated><title type='text'>amsterdã </title><content type='html'>Amsterdã é um relógio. A cidade roda em cima de engrenagens de canais, trilhos e bicicletas. Não há ruídos aqui, só o leve roçar metálico dos trens de superfície e sinos de igrejas distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Damrak, na saída da Centraal Station, é uma avenida principal que leva até o centro, a partir de onde a cidade é cortada por canais concêntricos. São três, Herengracht, Keizersgracht e Prinsengracht. Os prédios que margeiam os canais, datados do século XV, debruçam-se sobre a água ou pendem para o lado. Os alicerces de madeira não resistem ao tempo e à infiltração da água que circunda a cidade, que fica dois metros abaixo do nível do mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O movimento das construções é lento, centímetros a cada década. Mesmo corroídas, as bases dos prédios parecem não respeitar o tempo. Aqui, ele parece dilatado. As horas não têm fim, não há pressa. É como se os canais isolassem a cidade do resto do mundo. Parece não haver sobressaltos, mas pode ser também a impressão de que os holandeses sabem fazer o dia caber em 24 horas. O trajeto de um lado a outro da cidade não leva mais que 20 minutos e da estação central partem trens para Bruxelas, Antuérpia, Roterdã e Paris em todos os horários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É inverno e anoitece cedo. A cidade parece cinza à tarde e mergulha num azul profundo antes do escurecer. Van Gogh disse que a Holanda era sim tomada por um cinza. Talvez seja por isso que foi pintar campos de trigo na França muito mais colorida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E esse tom pode ser menos uma cor e mais um sentimento. A sensação fez Rembrandt usar cores mais sóbrias, enfatizar os contrastes e fazer da sua pintura uma arte fotográfica, bem antes da sua invenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade pare refletir o foco seletivo de Rembrandt. Mesmo sóbria, cinzenta, ela grita contrastes, abriga todas as raças e línguas e mantém o foco naqueles que ainda mantém laços com a terra natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mercado de flores da Singel é também reduto de turcos e marroquinos. O Red Light District abriga refugiados do leste europeu e holandeses das ex-colônias espalham sua cultura pelas praças de Amsterdã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cidade onde tudo é permitido, a sensação é de harmonia. Todos os anos, a prefeitura paga indenizações aos familiares de vítimas de acidentes com os trens de superfície, que trafegam no mais assustador silêncio. Serve de ilustração para dizer que aqui as coisas caminham pra frente, a ordem é o progresso, o ponto de partida, a tolerância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os trilhos urbanos daqui não têm espaço para quem impede o perfeito funcionamento das engrenagens.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110781355557332072?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110781355557332072/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110781355557332072' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110781355557332072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110781355557332072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/02/amsterd.html' title='amsterdã '/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110684607939813725</id><published>2005-01-27T09:14:00.000-08:00</published><updated>2005-01-27T09:14:39.396-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/276/2978/1024/ciudad%20018.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:4px solid #FF4400; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/276/2978/400/ciudad%20018.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;ciudad del este. janeiro - 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110684607939813725?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110684607939813725/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110684607939813725' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110684607939813725'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110684607939813725'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/ciudad-del-este_27.html' title=''/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110684597982511571</id><published>2005-01-27T09:12:00.000-08:00</published><updated>2005-01-27T09:12:59.826-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/276/2978/1024/ciudad%20012.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:4px solid #FF4400; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/276/2978/400/ciudad%20012.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;buraco feito por sacoleiros para contrabando de cigarros na ponte da amizade. foz do iguaçu - janeiro 2005 &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110684597982511571?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110684597982511571/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110684597982511571' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110684597982511571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110684597982511571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/buraco-feito-por-sacoleiros-para.html' title=''/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110684586943196125</id><published>2005-01-27T09:11:00.000-08:00</published><updated>2005-01-27T09:11:09.430-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/276/2978/1024/ciudad%20016.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:4px solid #FF4400; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/276/2978/400/ciudad%20016.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;ciudad del este. janeiro - 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110684586943196125?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110684586943196125/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110684586943196125' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110684586943196125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110684586943196125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/ciudad-del-este.html' title=''/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110684577683361917</id><published>2005-01-27T09:09:00.000-08:00</published><updated>2005-01-27T09:09:36.833-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/276/2978/1024/ciudad%20017.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:4px solid #FF4400; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/276/2978/400/ciudad%20017.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;comércio. ciudad del este - janeiro 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110684577683361917?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110684577683361917/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110684577683361917' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110684577683361917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110684577683361917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/comrcio.html' title=''/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110684565043330948</id><published>2005-01-27T09:07:00.000-08:00</published><updated>2005-01-27T09:07:30.433-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href='http://photos1.blogger.com/img/276/2978/1024/ciudad%20009.jpg'&gt;&lt;img border='0' style='border:4px solid #FF4400; margin:2px' src='http://photos1.blogger.com/img/276/2978/400/ciudad%20009.jpg'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;ponte da amizade. fronteira brasil-paraguai. foz do iguaçu - janeiro 2005&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110684565043330948?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110684565043330948/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110684565043330948' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110684565043330948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110684565043330948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/ponte-da-amizade.html' title=''/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110610332200182315</id><published>2005-01-19T01:55:00.000-08:00</published><updated>2005-01-27T08:47:20.276-08:00</updated><title type='text'>a noite</title><content type='html'>Amava só a noite. Amava só à noite. Disse adeus e foi ver o sol nascer. De lá longe, os raios pintaram de amarelo a terra preta. Voltou pra casa no meio das árvores. Tomou banho no rio e deitou na grama pra esperar de novo. Ela era bonita e tinha cabelos e olhos pretos. Boca vermelha e dentes brancos. Pele queimada de seca. Cor de areia de mar e couro jovem. Não enxergou nada nas nuvens. Ficou triste porque era pra vir algum recado. E não chovia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu o moço menino do teatro. Achou bonito que ele tinha a cara pintada. Brincava de fazer voz e fazer careta. Pulava nas tábuas do circo ambulante. A irmã do menino chamava Rosa, mas era feia. E ele tinha uma rosa pra brincar. Mas não dava pra ninguém e não dava pra ela. Era rosa de cena, pra fazer teatro. Todo mundo vinha ver a flor do menino porque ele gritava. Fazia ela mais bonita porque a cara dele era pintada de branco. Branca de neve. E era dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol ficava grande no azul do céu aberto. O moço e a irmã faziam a cena e ela olhava como por uma janela. Mas não tinha janela. Era terra aberta e tinha os raios amarelos, sem nuvem nem sombra nem fruta ou coisa verde. O vestido dela era de cores. E nele ficavam presos pedaços de árvore e as coisas do chão, porque ela corria o dia inteiro pelo campo, na floresta e no rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o sol ia se esconder. Ia virar noite e algumas estrelas piscavam por trás do azul claro e faziam aparecer o preto de céu à noite. O moço e a irmã do teatro paravam de fazer cena dentro das madeiras. E ela ficava sozinha com o vestido de cores que sumiam naquele preto escuro. Esperava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ouviu o bater das asas. Sabia que era o amor. Desceu do lado dela o pássaro de ferro. Era ferro porque tinha sangue de homem feito. Sabia ela. Mais um pouco e ele perdia as penas e ganhava pernas e braços e cara de menino homem. Tinha olhos e boca pra amar ela e mãos pra agarrar ela e o vestido de cores desaparecidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficavam juntos na árvore até amanhecer o dia. Ele não falava muito porque tinha que ser passarinho, tinha que voar. Mas beijava muito e fazia muito carinho, porque era homem feito pra isso. Só ela acreditou nele, porque ela fugiu de outro amor pra tirar dele o machucado que fazia ele se perder no deserto. Passarinho não pode ficar no chão, nem no quente da areia. Tem que voar perto das estrelas pra ficar fresco. E ela fugiu pra ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então era o amor dela que voava todo dia pelo céu perto do sol. E à noite aparecia pra fazer carinho e levar pra copa das árvores pra beber orvalho e dar beijo de homem com jeito de pássaro. E ela gostava de ficar nas asas dele. Flutuava no amor só dele, que era leve que nem o passarinho e bonito que nem a rosa do menino. Amava só a noite. Amava só à noite.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110610332200182315?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110610332200182315/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110610332200182315' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110610332200182315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110610332200182315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/noite.html' title='a noite'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110602361477831603</id><published>2005-01-17T20:38:00.000-08:00</published><updated>2005-01-18T12:05:33.666-08:00</updated><title type='text'>le déclin de l'empire américain</title><content type='html'>&lt;img src="http://www.prorext.ufrgs.br/agendao/ag25_05.jpg" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pierre: &lt;em&gt;"Tu rêve peut-être d'écrire un livre important. Moi je sais que je ne serais jamais Arnold Toynbee ni Fernand Braudel. Tout ce qui me reste c'est le sexe, ou l'amour. On fait jamais vraiment la différence." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dominique: &lt;em&gt;"À la limite, Karl Marx était un allemand bourgeois qui baisait les bonnes dans la cave en cachant de sa femme. Moi je me demande jusqu'à quel point ses théories viennent de sa culpabilité. La même chose pour Freud, à moitié homosexuel incapable de baiser sa femme après 40 ans, excité à mort par ses patientes. Ses querelles avec Jung, au fond, c'est des histoires de femmes, des histoires de cul." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Pierre: &lt;em&gt;"Il faut avoir assez bonne opinion de soi-même pour se réproduire. Moi je ne m'aime pas tellement. Je ne suis pas optimiste. Les intellectuels ne font rarement des très bons parents." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Dominique: &lt;em&gt;"Tous les matins, je me lève en rage. Contre n'importe quoi: tout, rien. J'arrive jamais à me calmer avant ma deuxième tasse de café." &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;... do filme 'le déclin de l'empire américain' de denys arcand&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110602361477831603?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110602361477831603/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110602361477831603' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110602361477831603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110602361477831603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/le-dclin-de-lempire-amricain.html' title='le déclin de l&apos;empire américain'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110593715907947785</id><published>2005-01-17T02:45:00.000-08:00</published><updated>2005-01-16T20:45:59.080-08:00</updated><title type='text'>momentos num café </title><content type='html'>O café tinha oito mesas. As mais disputadas eram as três mais perto da janela. Havia duas no meio e mais três ao longo da parede onde ficavam expostas algumas fotografias e muitos livros em prateleiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geralmente tocava jazz. Hoje não é diferente. Na vitrola, Billie Holiday canta ‘Strange Fruit’. São 16 horas e 31 minutos. Chove e o túnel do Anhangabaú, próximo dali, está interditado por risco de inundação. Os trens da linha vermelha pararam de circular e agora também os da linha azul. Trovoadas e um pé d’água no Largo de São Bento. Todos procuram abrigo. Ambulantes já fazem liquidação de guarda-chuvas. As bancas de jornal parecem flutuar. Helicópteros sobrevoam para dar notícias de trânsito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na terceira mesa à esquerda, próximo à janela, está um velho. Ele está na página 504 de um livro que lê há dois anos. O mesmo livro empoeirado. Usa como marcador de página um laço que a neta usava pra prender o cabelo quando ela tinha cabelos compridos há dois anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa em frente, uma mulher de pouco mais de 30 anos briga com a bateria do celular que insiste em acabar. Fuma um cigarro atrás do outro. Consegue fazer uma ligação. A redação diz pra ela continuar por ali e entrar ao vivo com o decreto da prefeita. Não dá, não tem bateria. Bronca de chefe. Raiva. Mais cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás dela, também próximo à janela, sentava um casal. Ela diz que não pode. Ele insiste. Estão juntos há três anos. Ela não quer. Ele diz que é impossível. Ela diz que não consegue. Ele diz que eles têm que tentar. Ela diz que não vai ser fácil. Ele diz que supera as dificuldades. Ela diz que já tentaram e foi um fracasso. Ele diz que não agüenta mais. Ela chora. Ele diz que não adianta. Ela pede mais tempo. Ele diz que já deu todo o tempo. Não dá. Decidem romper, mas a chuva é forte lá fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estão vazias as mesas do meio. Uma tem uma pilha de revistas de decoração, amassadas de tão folheadas e sujas com farelos de bolo. Na outra, cinzas transbordam de um pires e uma flor murcha gruda nas paredes internas de um vaso transparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um rapaz se debruça sobre a mesa mais ao fundo da fileira perto da parede. Tirou os óculos, que só precisava para enxergar o que estava longe, e sorriu sozinho com uma xícara de café quase frio. Lembrou de alguém que gostava de café frio. Como é que pode? Sorriu de novo pra chuva lá fora. Aquele alguém detesta dias chuvosos. Como é que pode? Escrevia coisas inúteis num caderno e as primeiras frases de uma grande história de amor num guardanapo. Limpou a boca e esqueceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesa em frente, olhando pra ele, estava uma estudante de arquitetura. Tinha um esquadro, réguas e canetas de ponta fina. Parecia desenhar algum prédio.  Na verdade era uma casa com paredes de vidro. Mordia uma das canetas e prendeu o cabelo num coque. Era a casa perfeita pra se apaixonar. Nunca teria filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sentava perto da porta. Atrás do balcão, exatamente às 16 horas e 31 minutos, seu Adamastor sofria um infarto fulminante.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110593715907947785?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110593715907947785/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110593715907947785' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110593715907947785'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110593715907947785'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/momentos-num-caf.html' title='momentos num café '/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110584140290893989</id><published>2005-01-15T18:02:00.000-08:00</published><updated>2005-01-15T18:10:02.910-08:00</updated><title type='text'>as rosas</title><content type='html'>Começou com um capricho dele. Queria sempre sobre a mesa de trabalho uma flor. Veio a primeira e ficou linda em cima da mesa de madeira escura. Deu fôlego àquele ambiente fechado. Parecia até que o ar ficou mais leve lá dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois que a primeira rosa morreu, precisou de outra pra que tudo voltasse ao normal. Pra que não morresse a energia do lugar onde escrevia. Então comprou mais uma. A outra foi pro lixo, mesmo tendo permanecido no vaso uns dias depois de morta. A nova durou menos porque fez muito calor naquela semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então comprou duas, que era pra garantir que pelo menos uma estaria em boas condições durante toda a semana. Foi viajar. Como ia pra perto do mar, acabou esquecendo as flores no quarto escuro. Voltou e elas continuavam vivas, brilhantes. Ficou maravilhado. Não era possível. Fazia semanas que ninguém pusera os pés no apartamento. Mas as pétalas não perderam o fulgor daquele vermelho. Nem a água tinha secado. Voltou ao trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Semanas depois as duas rosas continuavam intactas, como se fossem de plástico. Cheirava-as de vez em quando. Eram de verdade. Tinham cheiro de rosa e eram muito delicadas. Sem querer rasgou uma das pétalas. Era de verdade mesmo. A pétala rasgada ficou esquecida sobre a mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mogno escuro da escrivaninha, foi criando raízes. Aquela uma pétala fincou laços de verde por toda parte. No dia seguinte, trepadeiras cobriam todas as paredes do quarto e delas iam nascendo as mais belas rosas. Eram enormes, vermelhas, muito vermelhas. Entraram no armário, se misturaram às camisas dele. Se espalharam pelo chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema eram os espinhos. Cansou de machucar os pés ao acordar de manhã e sair andando pelas roseiras no assoalho. Acabou criando o hábito de calçar sempre umas sandálias com sola de borracha, pra não arranhar os pés nem destruir as rosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não demorou muito até que as flores chegassem ao banheiro. Gostavam da umidade e cresciam com mais rapidez pelos azulejos. Brotavam de todos os lados. Era difícil até enxergar o rosto no espelho, agora coberto de raízes e pétalas. Até o ralo abrigava rosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De fato, tinham alterado o clima. O apartamento viu de perto a precipitação. Chovia em alguns cômodos sempre no fim da tarde. A água escorria pelas paredes e alagava o chão debaixo das raízes. Mas logo tudo era absorvido. As pétalas ficavam molhadas. Pareciam chorar, mas não tinha motivo pra tristeza. Ou era suor, o calor era insuportável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebeu que ele já não precisava tomar banho debaixo do chuveiro. O orvalho das rosas caia aos baldes, estava sempre molhado. Não dava mais pra se secar. Também passou a andar nu pelo apartamento. Não precisava de roupas que se molhavam e grudavam no corpo. Quase pegou uma pneumonia quando quis resistir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegava da rua, abria a porta e já calçava as sandálias com sola de borracha. Tirava toda a roupa e ia pro quarto, onde havia mais rosas, mais umidade e mais raízes. Num dia que a fome apertou, decidiu que ia comer uma delas. Não queria estragar nenhuma, eram muito bonitas. Pegou a mais feia e enfiou na boca. Mordeu com receio e abriu um sorriso de surpresa. Escorreu pelos lábios o sangue vermelho das pétalas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorou o gosto. Comeu mais uma e depois outra. Quis experimentar o caule. Teve que ter muito cuidado com os espinhos, mas acabava sempre cortando a boca, a língua. Mesmo assim, insistia. Primeiro as pétalas, que rasgava com os dentes da frente. Com os caninos segurava a raiz no lugar e ia puxando o caule com os molares. Acabou que sentia prazer com os pequenos cortes que os espinhos faziam nas paredes e no céu da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tamanha foi a paixão pelas plantas que ele quase não saía de casa. Já não se preocupava em justificar para os vizinhos do andar as raízes que saiam pelas janelas da cozinha e da lavanderia. Dormia e comia no quarto as flores que não davam trégua. Quando mastigava uma parecia brotar outra. Tinham tanta força que algumas paredes tinham rachaduras por onde saíam mais pétalas e raízes. O assoalho já estava irreconhecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu que debaixo da madeira havia muita terra e o teto escondia nuvens por trás das manchas de infiltração. As rosas se irrigavam com o suor, o orvalho e toda a água do corpo dele e do encanamento do prédio. O síndico já recebia reclamações de falta d’água e rachaduras nas garagens e em alguns pilares de sustentação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As folhas, raízes e pétalas avançavam cômodo a cômodo, parede a parede sem fazer ruído. As chuvas internas caíam leves, sem trovoadas. Dava pra notar apenas umas oscilações na intensidade das luzes. Com as raízes se mesclando ao circuito elétrico, as flores aproveitavam a energia das lâmpadas pra crescer mais rápido. Às vezes, pestanejavam alguns lustres e parecia o prédio se espreguiçar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As infiltrações pioraram. Estava próxima a estação das chuvas e as rosas, mesmo ligadas à energia dos quartos, obedeciam ao calendário terrestre. Chovia muito. Alguns cômodos estavam sempre alagados e algumas paredes tinham pequenas nascentes. As panes no circuito elétrico também ficaram mais freqüentes. O prédio chegou a ficar sem luz por uma semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando nasceu uma flor um pouco maior, do tamanho de um televisor, as paredes estralaram e a luz voltou. Foi como o desenroscar dos ossos da coluna dele. Dormia tão como pedra que acordou não sabia quanto tempo depois de fechar os olhos. Viu que as flores continuavam se multiplicando e sentia muita fome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comeu a maior de todas as elas. Mordeu cada pétala, bebeu todo o suco e toda a seiva dos caules. Se cortou muito com os espinhos. Percebeu só depois de comer que estava sangrando muito, que o branco dos dentes já nem aparecia, nem o das mãos pálidas. Sangrava demais. Esfregou a cara em outras pétalas molhadas pra se limpar. Elas ficaram mais vermelhas com o sangue e ele voltara à palidez de sempre. Mas gotejava o sangue vez ou outra. Choveu e a água da tempestade ajudou a dar um banho nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caiu no sono encharcado, mole. As veias se tornaram mais visíveis sob a pele. Brilhavam esverdeadas, muito verde. Um sorriso estampou a cara dele, agora de lábios azulados. De frio, foi se encolhendo nu entre as raízes.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110584140290893989?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110584140290893989/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110584140290893989' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110584140290893989'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110584140290893989'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/as-rosas.html' title='as rosas'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110514126893678675</id><published>2005-01-07T15:32:00.000-08:00</published><updated>2005-01-07T20:40:58.533-08:00</updated><title type='text'>casa-grande &amp; senzala</title><content type='html'>o que a monocultura latifundiária e escravocrata realizou no sentido de aristocratização, extremando a sociedade brasileira em senhores e escravos, com uma rala e insignificante lambujem de gente livre sanduichada entre os extremos antagônicos, foi em grande parte contrariado pelos efeitos sociais da miscigenação. p. 33&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a força concentrou-se nas mãos dos senhores rurais. donos das terras. donos dos homens. donos das mulheres. suas casas representavam esse imenso poderio feudal. "feias e fortes". paredes grossas. alicerces profundos. óleo de baleia. refere uma tradição nortista que um senhor de engenho mais ansioso de perpetuidade não se conteve: mandou matar dois escravos e enterrá-los nos alicerces da casa. o suor e às vezes o sangue dos negros foi o óleo que mais do que o de baleia ajudou a dar aos alicerces das casas-grandes sua consistência quase de fortaleza. p. 38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;creio que não há no brasil um só diário escrito por mulher. nossas avós, tantas delas analfabetas, mesmo quando baronesas e viscondessas, satisfaziam-se em contar os segredos ao padre confessor e à mucama de estimação; e a sua tagarelice dissolveu-se quase toda nas conversas com as pretas boceteiras, nas tardes de chuva ou nos meios-dias quentes, morosos. debalde se procuraria entre nós um diário de dona de casa cheio de &lt;em&gt;gossip&lt;/em&gt; no gênero dos ingleses e dos norte-americanos dos tempos coloniais. p. 45&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;junte-se às vantagens, já apontadas, do português do século xv sobre os povos colonizadores seus contemporâneos, a da sua moral sexual, moçárabe, a católica amaciada pelo contato com a maometana, e mais frouxa, mais relassa que a dos homens do norte. nem era entre eles a religião o mesmo duro e rígido sistema que entre os povos do norte reformado e da própria castela dramaticamente católica, mas uma liturgia antes social que religiosa, um doce cristianismo lírico, com muitas reminiscências fálicas e animistas das religiões pagãs: os santos e os anjos só faltando tornar-se carne e descer dos altares nos dias de festa para se divertirem com o povo; os bois entrando pelas igrejas para ser benzidos pelos padres; as mães ninando os filhinhos com as mesmas cantigas de louvar o menino-deus; as mulheres estéreis indo esfregar-se, de saia levantada, nas pernas de são gonçalo do amarante; os maridos cismados de infidelidade conjugal indo interrogar os "rochedos dos cornudos" e as moças casadouras os "rochedos do casamento"; nossa senhora do ó adorada na imagem de uma mulher prenhe. p. 84&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;através de certas épocas coloniais observou-se a prática de ir um frade a bordo de todo navio que chegasse a porto brasileiro, a fim de examinar a consciência, a fé, a religião do adventício. o que barrava então o imigrante era a heterodoxia; a mancha de herege na alma e não a mongólica no corpo. do que se fazia questão era da saúde religiosa: a sífilis, a bouba, a bexiga, a lepra entraram livremente trazidas por europeus e negros de várias procedências. p. 91&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;em&gt;la situation fonctionnalle de cette population peut se résumer d'un mot: le brésil n'a pas de peuple&lt;/em&gt;", escreveu [louis] couty. palavras que joaquim nabuco repetiria dois anos depois do cientista francês: "são milhões", escrevia nabuco em 1883, "que se acham nessa condição intermédia, que não é o escravo, mas também não é o cidadão..." p. 98&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;costuma-se dizer que a civilização e a sifilização andam juntas: o brasil, entretanto, parece ter-se sifilizado antes de se haver civilizado. os primeiros europeus aqui chegados desapareceram na massa indígena quase sem deixar sobre ela outro traço europeizante além das manchas de mestiçagem e de sífilis. não civilizaram: há, entretanto, indícios de terem sifilizado a população aborígine que os absorveu. p. 110&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo em sinceras expressões individuais - não de todo invulgares nesta espécie de rússia americana que é o brasil - de mística revolucionária, de messianismo, de identificação do redentor com a massa a redimir pelo sacrifício de vida ou de liberdade pessoal, sente-se o laivo ou o resíduo masoquista: menos a vontade de reformar ou corrigir determinados vícios de organização política ou econômica que o puro gosto do sofrer, de ser vítima, ou de sacrificar-se. p. 114&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... do livro 'casa-grande &amp;amp; senzala' de gilberto freyre&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110514126893678675?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110514126893678675/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110514126893678675' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110514126893678675'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110514126893678675'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/casa-grande-senzala.html' title='casa-grande &amp; senzala'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110487470138111843</id><published>2005-01-04T13:30:00.000-08:00</published><updated>2005-01-06T20:55:07.926-08:00</updated><title type='text'>don quijote de la mancha</title><content type='html'>siempre, hermano, fui amiga de la igualdad, y no puedo ver entonos sin fundamentos. teresa me pusieron en el bautismo, nombre mondo y escueto, sin añadiduras ni cortapsias, ni arrequives de &lt;em&gt;dones &lt;/em&gt;ni &lt;em&gt;donas&lt;/em&gt;; cascajo se llamó mi padre; y a mí, por ser vuestra mujer, me llaman teresa panza, que a buena razón me habían de llamar teresa cascajo, pero allá van reyes do quieren leyes, y con este nombre me contento sin que me le pongan un &lt;em&gt;don &lt;/em&gt;encima, que pese tanto, que no lo pueda llevar, y no quiero dar que decir a los que me vieren andar vestida a lo condesil o a lo de gobernadora, que luego dirán: "!mirad qué entonada va la pazpuerca!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quiero decir que la conversación de vuestra merced ha sido el estiércol que sobre la estéril tierra de mi seco ingenio ha caído; la cultivación, el tiempo que ha que le sirvo y comunico; y con esto espero de dar frutos de mí que sean de bendición, tales, que no desdigan ni deslicen de los senderos de la buena crianza que vuesa merced ha hecho en el agostado entendimiento mío. p. 515&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;la poesía, señor hidalgo, a mi parecer, es como una doncella tierna y de poca edad y en todo estremo hermosa, a quien tienen cuidado de enriquecer, pulir y adornar otras muchas doncellas, que son todas las otras ciencias, y ella se ha de servir de todas, y todas se han de autorizar con ella. p. 542&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;teneos, señores, teneos, que no es razón toméis venganza de los agravios que el amor nos hace, y advertid que el amor y la guerra son una misma cosa, y así como en la guerra es cosa lícita y acostumbrada usar de ardides y estratagemas para vencer al enemigo, así en las contiendas y competencias amorosas se tienen por buenos los embustes y marañas que se hacen para conseguir el fin que se desea, como no sean en menoscabo y deshonra de la cosa amada. p. 580&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... do livro 'don quijote de la mancha' de miguel de cervantes&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110487470138111843?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110487470138111843/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110487470138111843' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110487470138111843'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110487470138111843'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2005/01/don-quijote-de-la-mancha.html' title='don quijote de la mancha'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110436920274748753</id><published>2004-12-29T17:10:00.000-08:00</published><updated>2005-01-18T14:35:52.413-08:00</updated><title type='text'>a ditadura envergonhada</title><content type='html'>repetiu-se nos quartéis o dilema que paralisou goulart durante o dia 31: o situacionismo esperou ser defendido pela estrutura convencional que desafiara, quando só lhe restava o caminho de atacá-la, antes que ela o liquidasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos primeiros meses do que se denominava "operação limpeza", o presidente da cgi, o marechal estevão taurino de rezende, reconheceu que "o problema do comunismo perde expressão diante da corrupção administrativa nos últimos anos" e se confessava "abatido pela extensão das irregularidades já verificadas", pois mesmo sendo "triste para um soldado ter de dizer isto [...] a impressão é de que, se fosse tudo apurado, o brasil se esvaziaria". pp. 134-135&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;castello vacilara, mas no fim de seu mandato construíra-se uma tentativa de constitucionalização do regime. apesar da anarquia e da indisciplina que o atazanaram, seu governo foi o que mais contribuiu para a profissionalização das forças armadas brasileiras em toda a história do país. p. 138&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mobilizando suas energias políticas contra a "campanha", e não contra a tortura, o regime de 1964 comprometeu-se com uma mistificação e, por vinte anos, comportou-se como se o combate à tortura não fizesse parte da luta em defesa dos direitos do homem. negar a tortura significava defender o regime. denunciá-la ou confirmá-la era atacá-lo. [...] deu-se por conveniência, medo e arrogância a metamorfose descrita pela filósofa alemã hannah arendt em seu magistral estudo "verdade e política": "o apagamento da linha divisória entre verdade fatual e opinião é uma das inúmeras formas que o mentir pode assumir". p. 149&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a missão geisel quis ser um compromisso liberal do governo, mas resultou num acerto que em vez de desarticular a tortura, perdoou-a. a conciliação de setembro de 1964 danificou a consciência da cúpula militar pela sensação que ofereceu de ter salvado simultaneamente a pele de muitos presos e a farda dos torturadores. alimentou a lenda cultivada pelas forças armadas segundo a qual, mesmo dirigindo regimes repressivos, mantinham-se distantes dos crimes neles praticados. p. 150&lt;br /&gt;&lt;p&gt;quanto à autonomia administrativa e à jurisdição, o serviço [nacional de informações] nasceu invulnerável. ao contrário do que ocorria com os chefes dos serviços de informações nos estados unidos, união soviética, frança e inglaterra, o chefe do sni ganhou status de superministro. enquanto em todo o mundo os serviços de informações prestavam contas a algum tipo de instituição, quer a uma comissão do congresso (no caso da cia) quer à cúpula colegiada do comitê central (no caso da kgb), golbery criou um organismo que só respondia ao presidente da república. p. 156&lt;/p&gt;&lt;p&gt;o sni nasceu fazendo em segredo tudo aquilo que a presidência precisava que fosse bem-feito. assim, se uma votação no congresso parecia difícil, cabia ao serviço - e não à liderança parlamentar ou ao gabinete civil - facilitar as negociações com a bancada. p. 168&lt;/p&gt;&lt;p&gt;pela estrutura logística, o sni ficou entre os dez mais bem equipados serviços de informações do mundo. seu poder de alavancagem política foi superior ao da cia, do intelligence service, ou mesmo da kgb. p. 169&lt;/p&gt;&lt;p&gt;típica malvadeza contra o "ministro do silêncio": o general emilio garrastazú medici, designado por costa e silva para chefiar o sni, anunciou menos de um mês antes de tomar posse que ia administrar o serviço com "o gabinete aberto aos jornalistas", pois "não entendo como se pode exercer uma função pública sem prestar contas". p. 172&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;como sempre acontece com os fracassos, [jefferson] cardim foi dado por louco e o assunto, esquecido. para a esquerda, sua aventura demonstrou algo cruel: por maior que fosse o descontentamento com o regime, ninguém sairia à rua para tentar derrubá-lo apenas porque uma coluna de guerrilheiros cruzara a fronteira. p. 194&lt;/p&gt;&lt;p&gt;em janeiro de 1966 fidel instalou no hotel habana libre a conferência tricontinental de solidariedade dos povos. nela, uma guerrilheira vietcongue presenteou-o com um anel feito da fuselagem de um avião americano derrubado no vietnã. por todos os aspectos cênicos, a reunião parecia uma tentativa de organização do funeral do imperialismo. na essência, porém, era a primeira grande quermesse anti-soviética do esquerdismo latino-americano. de 22 partidos comunistas ligados a moscou no continente, só três chefiavam delegações na festa. p. 197&lt;/p&gt;&lt;p&gt;por uma fatalidade histórica, começou em 1964 no brasil um período de supressão das liberdades públicas precisamente quando o mundo vivia um dos períodos mais ricos e divertidos da história da humanidade. nesse choque, duas rodas giraram em sentido contrário, moendo uma geração e vinte anos da vida nacional. p. 211&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;beat&lt;/em&gt;. essa palavra designava uma nova voz da alma. nos anos 40 era usada para definir um trato de drogas trapaceado. herbert huncke, um prostituto, ladrão do norte de chicago, passou-a a um vagabundo que falava em escrever um livro. chamava-se jack kerouac. &lt;em&gt;beat&lt;/em&gt;, para huncke, significava "derrotado", "com o mundo contra mim". em 1957 um jornalista do &lt;em&gt;san francisco chronicle&lt;/em&gt; inventou o termo que definiria as pessoas que se sentiam como huncke: &lt;em&gt;beatnik&lt;/em&gt;. capturava o sufixo do sputnik, o primeiro satélite artificial colocado em órbita ao redor da terra pelos russos. um beatnik, como o satélite, gravitava muito longe daquilo que se considerava o mundo real. p. 214&lt;/p&gt;&lt;p&gt;quando o marechal castello branco entrou no palácio do planalto, levou para o governo um mundo em que kerouac seria um homossexual bêbado, [allen] ginsberg um judeu doido, [aldous] huxley um inglês excêntrico, wright mills um exibicionista [herbert] marcuse um alemão perigoso, [martin luther] king um ingênuo sonhador e fanon, um negro desconhecido. [...] tratava-se de um mundo onde a igualdade racial era uma aspiração filosófica, o homossexualismo uma anomalia e a condição feminina, um estuário procriador, amoroso e doméstico. p. 215&lt;/p&gt;&lt;p&gt;nos últimos dias da república de 1946, o brasileiro que melhor encarnaria as perplexidades e a audácia de sua geração, o baiano glauber rocha, de 24 anos, mostrou no rio de janeiro seu filme &lt;em&gt;deus e o diabo na terra do sol&lt;/em&gt;, magistral épico da perseguição e morte do cangaceiro corisco. "mais fortes são os poderes do povo!", gritava, com balas no corpo e os olhos na platéia. p. 219&lt;/p&gt;&lt;p&gt;castello lutava para desembaraçar-se do risco da ditadura por meio dos mais diversos recursos. para espanar a pátina do irracionalismo que lhe cobria o governo, mostrava-se homem de cultura. almoçava no palácio laranjeiras com o poeta manuel bandeira, ia às peças de teatro de tônia carrero, freqüentava as chatas sessões de posse na academia brasileira de letras. p. 221&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a criminalização da política nas escolas foi um mau passo dado num país onde o movimento estudantil, pela sua tradição, tinha um pé na esquerda e outro na elite, permitindo um tráfego histórico de idéias e sobrenomes. [...] o movimento estudantil não cabia na clandestinidade simplesmente porque era uma espécie de espoleta histórica do intrincado processo de metamorfoses ideológicas da plutocracia nacional. p. 227&lt;/p&gt;&lt;p&gt;em dezembro de 1964, num shopping center inacabado de copacabana, estreou o show &lt;em&gt;opinião&lt;/em&gt;. misturava sambão, jazz, baladas nordestinas, comentários políticos e melodias da bossa nova. no meio dessa salada estava a doce figura de nara leão, uma moça tímida da classe média carioca. transformada em musa da bossa nova, vestida com calça jeans e uma blusa vermelha, cantava "carcará", história de um pássaro malvado que "pega, mata e come", ruim como o regime. p. 229&lt;/p&gt;&lt;p&gt;no dia 24 de abril de 1965, quando o show &lt;em&gt;opinião&lt;/em&gt; saiu de cartaz, foi substituído pela peça &lt;em&gt;liberdade, liberdade&lt;/em&gt;, uma colagem de textos antiditatoriais. pelo talento de paulo autran, seu ator principal, e pela metáfora que era o espetáculo em si, funcionava como uma lavagem de alma para a classe média. habilmente, misturavam-se cantos e textos das vítimas de todas as opressões, com mão forte para os dissidentes soviéticos. logo nos primeiros dias de encenação apareceram provocadores na platéia, gritando piadas que autran toreava com classe. depois vieram ameaças telefônicas: o teatro seria explodido. elas chegaram ao conhecimento de castello, que escreveu a costa e silva: "as ameaças de que oficiais vão acabar com o espetáculo são de aterrorizar a liberdade de opinião". p. 253&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a dinâmica do regime, com suas crises militares, chocava-se com a conduta do presidente. nesses choques, todas as vitórias de castello foram parciais, enquanto as derrotas foram totais. a maior de suas vitórias foi a realização de eleições diretas para os governos de doze estados, em 3 de outubro de 1965. a maior derrota de seu projeto de restauração da ordem foi a edição do ato institucional 2, três semanas depois. p. 254&lt;/p&gt;&lt;p&gt;de acordo com as normas da anarquia, pouparam-se os insubordinados, e puniram-se as instituições democráticas. p. 259&lt;/p&gt;&lt;p&gt;olhada, a passeata era uma festa. manifestação de gente alegre, mulheres bonitas com perna de fora, juventude e poesia. caminhava em cordões. havia nela a ala dos artistas, o bloco dos padres (150), a linha dos deputados. ia abençoada pelo cardeal do rio de janeiro, o arquiconservador d. jaime câmara, que em abril de 1964 benzera a marcha da vitória. muitas pessoas andavam de mãos dadas. todo o rio de janeiro parecia estar na avenida. a serena figura da escritora clarice lispector e norma bengell, a desesperada de &lt;i&gt;terra em transe&lt;/i&gt;; nara leão, vinicius de moraes e chico buarque de hollanda, que com a poesia de "carolina", e seus olhos verdes, encantava toda uma geração. personagens saídos da crônica social misturavam-se com estudantes saídos do dops. do alto das janelas a cidade jogava papel picado. catedral frentista, a passeata dos cem mil saiu da cinelândia, jovem, bela e poderosa. parecia o funeral do consulado militar. p. 296&lt;/p&gt;&lt;p&gt;a idéia das cidades como cemitério da guerrilha era mais que uma imagem retórica. dispensando a montagem de bases rurais, as organizações armadas aprisionaram-se, principalmente em são paulo e no rio de janeiro. dispensando o campo, perderam um refúgio eficaz e barato para os militantes identificados pelo governo. um estudo da vida de 76 organizações terroristas de todo o mundo informa que os grupos amparados por bases rurais se mostraram mais longevos que os focos simplesmente urbanos. quase todos os grupos sem um pé no campo, agindo e vivendo no mesmo país, duraram de um a cinco anos. p. 353&lt;/p&gt;&lt;p&gt;... do livro 'a ditadura envergonhada' de elio gaspari&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110436920274748753?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110436920274748753/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110436920274748753' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110436920274748753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110436920274748753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2004/12/ditadura-envergonhada.html' title='a ditadura envergonhada'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110435727431463031</id><published>2004-12-29T13:43:00.000-08:00</published><updated>2005-01-03T16:36:39.763-08:00</updated><title type='text'>jornalistas e revolucionários</title><content type='html'>[João Sant’Anna] escreveu o notável editorial do número zero de &lt;em&gt;Repórter&lt;/em&gt;, uma confissão do estado de espírito dos jornalistas jovens da grande imprensa no período pós-Herzog, &lt;em&gt;a geração do medo&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Nós somos uma geração de jornalistas formados no AI-5, na paranóia. Nós somos o medo. Ele escorre por cada linha que escrevemos. E mancha o papel de vergonha. Nosso jeito de escrever foi moldado pela grande imprensa – pela autocensura. Nosso trabalho, raras vezes tinha um sentido social. Tinha apenas um sentido prático: sobreviver, de medo. Não devemos acusar ninguém pelo que não dissemos: com raras exceções devemos acusar nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse número zero do Repórter poderia ter sido muito melhor. Muito mais verdadeiro. Mas não foi possível: tivemos medo. E só por isso compreendemos aqueles que se recusaram a colaborar. Ou até mesmo a falar. São nossos companheiros no medo que nos sufoca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também o correspondente [do &lt;em&gt;Opinião&lt;/em&gt;] em Brasília, Julio César Montenegro, queixa-se de censura interna que relaciona a um estilo de redação autoritário:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Como é que um jornal que se propõe a abrir o debate com o mundo exterior fecha o debate entre seus colaboradores [...] nesses dias que passei aí notei que as discussões são poucas, as reuniões de pauta são uma listagem de assuntos... sei que a situação, as dificuldades de tempo e gente, forçam a tomada se resoluções sem ouvir ninguém, mas estou preocupado com a transformação disso em hábito. Só para exemplificar: quando estávamos lendo as matérias para escolher o que iria no nacional, você vetou tão sumariamente a notícia da greve de Minas, que eu quase nem tentei argumentar [...] esse é um caso menos (será?), embora eu tenha usado como exemplo. Certo, alguém tem que tomar todas as resoluções, enquanto os menos experientes aprendem. Só que o mesmíssimo argumento é usado para afastar o povo das decisões do governo [...] é por tudo isso que eu acho desagradável e em choque com o que &lt;em&gt;Opinião&lt;/em&gt; representa, que você tenha dito “não quero discutir mais esse assunto”. Por quê? Se a minha posição é fácil de ser contestada, por que se recusar ao pequeno trabalho?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Duarte Pacheco publicou o &lt;em&gt;Ensaio Popular&lt;/em&gt; “O culto ao último livro”, que perguntava “ler mais é saber mais?” E respondia: “O erro dos que sucumbem ao culto desenfreado dos livros é profundo; querer desenvolver uma teoria sem experiências práticas é como pretender levantar-se do chão puxando os próprios cabelos”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O “racha” de &lt;em&gt;Movimento&lt;/em&gt; sinalizava uma ruptura que ia além dos limites de um jornal alternativo, fruto de longo processo de rejeição do paradigma stalinista:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Consideramos assim, rompidos os compromissos que &lt;em&gt;Movimento&lt;/em&gt; assumiu em seu número zero, com o público leitor, com todos os que apoiaram e com aqueles que nele trabalhassem ou viessem a trabalhar. Lá se [prometia] uma empresa jornalística onde as pessoas que escrevessem, de fato e de direito, ou seja, também juridicamente, tivessem poder de decisão para garantir a observação de suas idéias [...] ao contrário dessa democracia de fato e de direito, chegamos, em &lt;em&gt;Movimento&lt;/em&gt;, a uma situação semelhante àquela descrita pela própria equipe que saía do jornal &lt;em&gt;Opinião&lt;/em&gt;, em 1975: “era como se, num projeto que pertencia de fato a várias pessoas, uma das partes tomasse uma decisão fundamental unilateralmente” [...].&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Em Tempo&lt;/em&gt; não tinha editor formal; prevaleceram na organização interna do jornal os princípios da descentralização e autonomia total das editorias. A editoria de cultura, em especial, havia se auto-estruturado como entidade completamente autônoma, autogerida e contrária a qualquer interferência externa a ela mesma. Tinha uma “gestão coletiva [...] distribuída por um corpo de três editores com iguais poderes de decisão [...] e um corpo de pauta e redação com poder de avaliação, execução e aprovação indicativa das matérias”. É também a que melhor elabora uma fundamentação teórica para esse novo tipo de gestão jornalística em que toda a criação e edição são processos coletivos e autogeridos. Não há, nessa estrutura, lugar nem para o editor nem para subeditores nem para o &lt;em&gt;copy desk&lt;/em&gt;, acusado de ser o agente principal da burguesia na padronização e homogeinização do texto, na criação de uma “metafísica do texto”. Negava-se ao editor, aos outros dirigentes, ou coletivos do jornal, qualquer poder de interação com as matérias de cultura. Era execrado o corte de matérias e abolido o comando hierárquico baseado em indivíduos, classificado como necessariamente arbitrário. Toda discussão era remetida a instâncias coletivas de base.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A editoria de cultura [do &lt;em&gt;Em Tempo&lt;/em&gt;] se propõe a tratar de tudo, e não apenas de cultura no sentido estrito, pois a “produção crítica de artes se insere no âmbito da luta por novas mentalidades, por novos valores, novas formas de expressão e de associação no âmbito da luta ideológica [...]”. Era uma maneira de influir sobre o jornal como um todo e, eventualmente, determinar sua linha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...do livro 'jornalistas e revolucionários nos tempos da imprensa alternativa' de bernardo kucinski&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110435727431463031?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110435727431463031/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110435727431463031' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110435727431463031'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110435727431463031'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2004/12/jornalistas-e-revolucionrios.html' title='jornalistas e revolucionários'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9784371.post-110402028010764606</id><published>2004-12-25T16:12:00.000-08:00</published><updated>2004-12-27T18:27:46.903-08:00</updated><title type='text'>mrs dalloway</title><content type='html'>fear no more, says the heart, committing its burden to some sea, which sighs collectively for all sorrows, and renews, begins, collects, lets fall.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as a cloud crosses the sun, silence falls on london; and falls on the mind. effort ceases. time flaps on the mast. there we stop; there we stand. rigid, the skeleton of habit alone upholds the human frame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;they looked in at a shop window; they did not wish to buy or to talk but to part, only with contrary winds buffeting the street corner, with some sort of lapse in the tides of the body, two forces meeting in a swirl, morning and afternoon, they paused. some newspaper placard went up in the air, gallantly, like a kite at first, then paused, swooped, fluttered; and a lady's veil hung. yellow awnings trembled. the speed of the morning traffic slackened, and single carts rattled carelessly down half-empty streets. in norfolk, of which richard dalloway was half thinking, a soft warm wind blew back the petals; confused the waters; ruffled the flowering grasses. haymakers, who had pitched beneath hedges to sleep away the morning toil, parted curtains of green blades; moved trembling globes of cow parsley to see the sky; the blue, the steadfast, the blazing summer sky.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;indeed, he was collecting evidence of their malpractices; and those costermongers, prostitutes, good lord, the fault wasn't in them, nor in young men either, but in our detestable social system and so forth; all of which he considered, could be seen considering, grey, dogged, dapper, clean as he walked across the park to tell his wife that he loved her.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... because it is a thousand pities never to say what one feels ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;i resign, the evening seemed to say, as it paled and faded above the battlements and prominences, moulded, pointed, of hotel, flat, and block of shops, i fade, she was beginning, i disappear, but london would have none of it, and rushed her bayonets into the sky, pinioned her, constrained her to partnership in her revelry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;somehow it was her disaster - her disgrace. it was her punishment to see sink and disappear here a man, there a woman, in this profound darkness, and she forced to stand there in her evening dress. she had schemed; she had pilfered. she was never wholly admirable.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9784371-110402028010764606?l=nerobianco.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nerobianco.blogspot.com/feeds/110402028010764606/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=9784371&amp;postID=110402028010764606' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110402028010764606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9784371/posts/default/110402028010764606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nerobianco.blogspot.com/2004/12/mrs-dalloway.html' title='mrs dalloway'/><author><name>silas</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13468873104775327540</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
